História
Origem como pouso de tropeiros (séc. XVIII)
Campinas surgiu como pouso de tropeiros no caminho das Minas Gerais, no séc. XVIII. Após a bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera Filho, em 1722 — que abriu a rota do ouro para Goiás — bandeirantes paulistas começaram a atravessar regularmente esta região, onde encontraram campos limpos abertos em meio à mata fechada (o "mato grosso de Jundiaí"). Foi nestas "campinas do mato grosso" que se estabeleceram os primeiros pousos sertanejos, por volta de
- O topônimo, no plural, cristalizou-se na designação da
futura Freguesia.
Fundação canônica em 14/07/1774
Em 27/05/1774, o Capitão-Mor de Jundiaí Francisco Barreto Leme do Prado (bandeirante paulista) firmou ato fundacional autorizando o desmembramento da nova Freguesia. Em 14/07/1774, o Frei Antônio de Pádua de Tolentino celebrou a 1ª missa, fundando canonicamente a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso de Jundiaí. Esta data — 14 de julho — foi escolhida pela tradição cívica como aniversário oficial. Em 14/12/1797, foi elevada a Vila com o nome de São Carlos (homenagem ao herdeiro do trono português D. Carlos), desmembrando-se de Jundiaí. Em 05/02/1842, pela Lei Provincial 16, foi elevada à categoria de Cidade, restaurando o nome originário "Campinas".
Capital do café paulista (séc. XIX)
Entre 1850 e 1880, Campinas foi a capital do café paulista — o polo cafeeiro mais rico da Província de SP, com fazendas históricas (Santa Genebra, São Quirino, Mato Dentro) e grandes barões do café (Barão de Itapura, Barão de Indaiatuba, Barão de Geraldo de Rezende). A chegada da Companhia Paulista de Estradas de Ferro em 1872 consolidou a expansão cafeeira — Campinas era ponto de convergência ferroviária para o porto de Santos. Em 1887, foi fundado o IAC — Instituto Agronômico de Campinas — 138 anos em 2025, referência nacional em pesquisa cafeeira- citrícola até hoje. A imigração italiana cafeeira (1880- 1910) consolidou a etnografia campineira moderna.
Epidemias de febre amarela (1889-1896) — origem da Fênix
As epidemias de febre amarela de 1889-1896 devastaram a cidade — população reduzida em ~75% (de ~30 mil para ~7 mil hab.) em 7 anos, em razão da combinação de mosquitos Aedes aegypti, ausência de saneamento, urbanização desordenada e fluxo cafeeiro internacional. A cidade praticamente desapareceu como pólo econômico. Mas renasceu nas décadas 1900-1910 com reordenamento sanitário (canalização do Córrego Tanquinho, drenagem de pântanos, vacinação Oswaldo Cruz). Daí o símbolo da Fênix no brasão municipal — renascimento das chamas — sob o lema Labore Virtute Civitas Floret ("Pelo trabalho e virtude a cidade floresce"). É simbologia única no BR: nenhum outro município brasileiro adota a Fênix como símbolo de renascimento sanitário-econômico.
Industrialização e diocese (séc. XX início)
A Diocese de Campinas foi criada pelo Papa Pio X em 07/06/1908, marcando a maturação eclesial da cidade. Industrialização inicial (têxtil, alimentícia, metalúrgica) consolidou-se nas décadas 1920-1940, impulsionada pela ferrovia Paulista. Em 1941, foi instalada a 1ª Vara do Trabalho de Campinas — sob jurisdição direta do TRT-2 (SP capital), antes mesmo de existir TRT no interior paulista — marco do Direito do Trabalho interiorano brasileiro.
Salto científico-tecnológico (séc. XX-XXI)
Em 1948, foi construído o Aeroporto de Viracopos como base militar (Comando da Aeronáutica); abriu ao tráfego comercial em 1960. Em 19/04/1958, a Diocese foi elevada a Arquidiocese Metropolitana de Campinas pela Bula "Christus Dominus" do Papa Pio XII. Em 05/10/1966, pela Lei Estadual 7.655 (governador Laudo Natel), foi fundada a Unicamp — Universidade Estadual de Campinas — idealizada e dirigida pelo Prof. Zeferino Vaz. Em 1976, fundou-se o CPqD (Telebrás). Em 17/11/1986, pela Lei 7.520/1986, foi instalado o TRT-15 — Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região — em Campinas, única capital de TRT do BR sem ser capital estadual. Em 1987, criou-se o CNPEM/LNLS. Em 14/11/2018, primeira luz do Sirius — único síncrotron 4ª geração da América Latina. Em 2026, Campinas completa 252 anos — Unicamp 60 anos, TRT-15 40 anos. Em 06/11/2025, instalou-se a Vara Regional das Garantias (TJSP, 5 CJs) e a 3ª Vara de Violência Doméstica — Campinas torna-se a 1ª cidade do interior BR com 3 VDs.