História
Ribeirão Preto — do "Mar de Café" à Capital Nacional do Agronegócio
Ribeirão Preto nasce como produto direto do fluxo migratório do Sul de Minas Gerais para o nordeste paulista no séc. XIX. Em 1845, a bandeira de Domingos Garcia consolidou a presença sesmeira na região — fluxo composto por famílias vindas de Caconde, Cabo Verde e Carmo do Rio Pardo (atual Sul de MG). Em 19/06/1856, esses sesmeiros doaram terras para fundar a Capela de São Sebastião do Ribeirão Preto, marco oficial de fundação da cidade. O nome "ribeirão Preto" veio do pequeno curso d'água que atravessa o município — águas escurecidas pela matéria orgânica do Cerrado paulista.
A povoação cresceu rapidamente na onda da expansão cafeeira: Freguesia em 1865, Vila em 1870, Comarca pela Lei Provincial nº 47 em 28/12/1872 (uma das mais antigas do interior paulista), Câmara Municipal instalada em 1874 (primeiro intendente João Gonçalves dos Santos), e Cidade em 12/04/1889, em pleno fim do Império.
Entre 1880 e 1920, Ribeirão Preto viveu o "MAR DE CAFÉ" — uma das maiores produtoras mundiais de café no auge do ciclo cafeeiro paulista. As fazendas históricas — Monte Alegre, Dumont (de Henrique Dumont, pai do inventor Santos Dumont), São Martinho, Biagi — formaram a base econômica do "ouro verde". A chegada da Estrada de Ferro Mogiana (1900-1920) consolidou o escoamento do café e a industrialização incipiente. A grande imigração italiana (predominante) e japonesa (Vila Tibério) transformou definitivamente a demografia, a gastronomia e o tecido cultural — sobrenomes italianos dominam ainda hoje a elite tradicional ribeirão-pretana, e o Tanabata Matsuri, em julho, preserva a herança nipônica.
A crise do café de 1929 redirecionou a economia. Em 1908, foi criada a Diocese de Ribeirão Preto pelo Papa Pio X. Em 1930, foi inaugurado o Theatro Pedro II, um dos maiores teatros líricos do BR — símbolo do auge cafeeiro. Em 24/02/1932, foi fundada a 12ª Subseção da OAB-SP — primeiro presidente Dr. João Rodrigues Guião, que também foi prefeito da cidade, marcando a tradição advocatícia e política dupla.
No séc. XX, Ribeirão Preto consolidou-se como Polo Médico Nacional: em 1948, foi fundada a FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto); em 1952, foi inaugurado o HC-FMRP-USP — referência nacional em saúde, hoje notoriamente em transplantes (medula óssea, fígado, rim, coração) e hematologia (Hemocentro de RP). Entre 1950 e 1970, a economia transitou para a agroindústria sucroalcooleira — cana-de-açúcar, açúcar e álcool — que se acelerou após o Pró-Álcool de 1975, consolidando RP como Capital Nacional do Agronegócio e Califórnia Brasileira. Cosan, Raízen, São Martinho, Biosev, Cutrale, Citrosuco, Coopercitrus — os gigantes do agro brasileiro têm matriz operacional ou histórica em RP.
Em 1981, foi inaugurado o Ribeirão Shopping — primeiro shopping da cidade. Em 1994, foi realizada a 1ª Agrishow, hoje a maior feira de agronegócio da América Latina, anual em RP. Em 2005, a Comarca foi elevada a Entrância Final do TJSP — equivalente à Capital. Em 2007, foi criada a FDRP (Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP), trazendo a USP como protagonista da formação jurídica regional. Em 2016, foi criada a RM de Ribeirão Preto pela LC Estadual 1.290/2016, agregando 34 municípios.
Em 17/11/2023, evento institucional raro: o Provimento CJF3R nº 81/2023 EXTINGUIU a 5ª Vara Federal de Ribeirão Preto — caso documentado de extinção (não criação) de vara federal no BR. A 2ª Subseção mantém 4 VFs ativas + JEF + Vara de Execução Fiscal. Em 27/10/2024, Ricardo Silva (PSD) foi eleito prefeito no 2º turno com diferença de apenas 687 votos sobre Marco Aurelio (Novo) — uma das eleições mais acirradas do BR em 2024. Em 2026, Ribeirão Preto completa 170 anos — entre o legado cafeeiro, o polo médico nacional e a centralidade agroexportadora, é hoje uma das cidades mais estratégicas do interior brasileiro.