História
Camaçari é uma das cidades mais antigas em ocupação europeia da Bahia: o povoado nasceu em 02/06/1558 (Dia de Pentecostes) como Aldeia do Divino Espírito Santo, fundado pelos jesuítas João Gonçalves e Antônio Rodrigues para catequizar os tupinambás. Por dois séculos, foi núcleo agrário subordinado à Câmara de Salvador. Em 28/09/1758, o decreto do Marquês de Pombal elevou o povoado a vila autônoma com o nome Nova Abrantes do Espírito Santo (homenagem a Abrantes, Portugal) e expulsou os jesuítas — episódio típico da política pombalina anticlerical. O topônimo permaneceu até 1938, quando foi substituído por Camaçari, em referência à árvore-símbolo Caraipa densifolia ("árvore que chora") abundante na região.
A grande inflexão histórica veio em 1978, com a inauguração do Polo Industrial de Camaçari — primeiro complexo petroquímico planejado do Brasil e do Hemisfério Sul. Em 1973, com a Lei Complementar Federal 14, o município já havia sido incluído entre os 8 fundadores da RMS. Entre 1991 e 2022, a população cresceu 164% (de 113 mil para 300 mil hab) — efeito direto da industrialização. Em 2001 chegou a Ford Motor Company, encerrada em 2021; em 2024, a chinesa BYD assumiu o complexo automotivo para produção de veículos elétricos, num investimento de R$ 5,5 bilhões. No litoral, Arembepe (incorporado ao município) tornou-se mundialmente conhecido como aldeia hippie desde 1967, recebendo Janis Joplin, Mick Jagger, Keith Richards e os Rolling Stones nos anos 1970.