História
Feira de Santana nasceu, no século XVIII, em torno da Fazenda Sant'Ana dos Olhos d'Água, propriedade do casal português Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandoa, na rota dos boiadeiros entre o sertão e o Recôncavo Baiano. A feira semanal de gado, sal, fumo, couros e mantimentos, organizada para abastecer tropeiros e vaqueiros, fixou-se gradualmente como núcleo urbano regional. A devoção a Senhora Sant'Ana, padroeira do casal proprietário, deu o segundo termo do topônimo.
Em 13/11/1832, pela Lei Provincial nº 8, foi criada a Vila de Feira de Sant'Ana, desmembrada da Comarca de Cachoeira; instalada efetivamente em 09/05/1833. Em 18/09/1873, pela Lei Provincial nº 1.320, foi elevada à categoria de cidade — data celebrada hoje como aniversário oficial de Feira. No início do século XX, consolidou-se como polo comercial-atacadista do Centro-Norte Baiano, alimentando a vocação histórica de "porta do sertão".
Em 1919, Ruy Barbosa — em visita política à cidade — atribuiu o cognome "Princesa do Sertão", denominação que se tornou a marca cultural mais conhecida de Feira. Em 1937, um grupo de jovens liderado por Maneca Ferreira fundou a Micareta de Feira — primeira festa de carnaval fora de época da história mundial — após uma chuva torrencial ter interrompido o carnaval daquele ano. A Micareta inspirou todas as outras micaretas brasileiras e ainda hoje é o maior carnaval fora de época do país.
As décadas de 1960-1970 trouxeram a transformação urbana decisiva: consolidação do entroncamento rodoviário federal (BR-116, BR-324, BR-101, BR-407) — maior nó rodoviário do Nordeste brasileiro —, instalação do Centro Industrial do Subaé (CIS) como polo industrial regional, e criação da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) pela Lei 2.784/1970 — primeira universidade estadual do interior baiano (instalada em 1976). Em 1984, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) foi inaugurado como referência de saúde pública para todo o Centro-Norte Baiano.
Hoje Feira é a 2ª cidade da Bahia (~616 mil hab., Censo 2022; ~660 mil estimativa 2025), consolidada como contraponto demográfico à capital — foi o município baiano com maior saldo populacional positivo entre 2024 e 2025 (+2.858 hab.) enquanto Salvador perdia população. Em 2024, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil) venceu sua 5ª eleição para a prefeitura, com 50,32% dos votos no 1º turno.