História
Ilhéus tem origem em 26 de junho de 1534, com a doação da Capitania de São Jorge dos Ilhéus ao fidalgo português Jorge de Figueiredo Correia, por carta régia assinada em Évora pelo Rei D. João III. Foi uma das 15 Capitanias Hereditárias do Brasil colonial. O donatário, homem de prestígio na corte de Lisboa, jamais pisou em sua capitania — enviou em seu lugar o castelhano Francisco Romero, "homem de guerra", que partiu do Tejo em 1535. Romero estabeleceu o povoamento inicial em Tinharé (atual Morro de São Paulo) e, em seguida, descobriu a Baía do Pontal, onde fundou a sede definitiva da capitania, batizando-a São Jorge dos Ilhéus — duplo tributo ao donatário (Jorge) e às ilhas costeiras (ilhéus). O caso é paradigmático de donatário ausente no sistema das Capitanias Hereditárias: a administração foi inteiramente tocada por procurador, modelo único no nascimento de uma cidade brasileira.
Os séculos XVI e XVII trouxeram ataques indígenas Aimorés, invasões de piratas franceses ao longo da costa, e disputas entre engenheiros de açúcar. Cristóvão de Aguiar de Altero sucedeu na donataria após a morte de Jorge de Figueiredo Correia, ainda em Lisboa, por volta de
- Em 28 de junho de 1881, a vila foi elevada à
categoria de cidade pela Lei Provincial nº 1.823 — data que se tornou o aniversário oficial do município (490 anos completados em 2024).
O ciclo do cacau (1890-1989) reescreveu a economia e a cultura ilheuenses. A cidade transformou-se na principal praça exportadora de cacau do Brasil, gerando a oligarquia dos coronéis do cacau — fazendeiros que projetaram fortunas, casarões e poder político. Jorge Amado, nascido em Itabuna em 10/08/1912 mas mudado para Ilhéus com 1 ano de idade, cresceu entre coronéis, jagunços, marinheiros e prostitutas polonesas: toda a sua obra maior — "Cacau" (1933), "Terras do Sem-Fim" (1943), "São Jorge dos Ilhéus" (1944), "Gabriela, Cravo e Canela" (1958), "Tocaia Grande" (1984), "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1966) — tem Ilhéus como cenário literal.
Em 20 de outubro de 1913, o Papa Pio X criou a Diocese de Ilhéus (bula Majus Animarum Bonum), desmembrada da Arquidiocese de Salvador. Em 7 de novembro de 1978, o Papa João Paulo II, pela bula Benigníssimo Dei Concilio, criou a Diocese de Itabuna totalmente desmembrada de Ilhéus — fixando a precedência ilheuense de 65 anos na hierarquia eclesiástica do Sul-BA.
Em 1971, foi inaugurado o Porto do Malhado — primeiro porto brasileiro construído em mar aberto, substituindo o antigo Porto do Rio Cachoeira. Em 22/05/1989, a descoberta da praga vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa) iniciou o colapso da cacauicultura — choque ao qual Ilhéus respondeu com reconversão para turismo, porto e serviços. Em 2000- 2004, o cabaré Bataclan foi restaurado com recursos da Petrobras e da Lei Rouanet. Em 12/03/2002, o aeroporto foi oficialmente renomeado Aeroporto Jorge Amado — único do Brasil a homenagear um escritor. Em 21/01/2026, foi inaugurado o novo Fórum Epaminondas Berbert de Castro — primeiro fórum do interior baiano com reconhecimento facial e videomonitoramento integral.