História
Itabuna nasceu como ponto de parada de tropeiros que seguiam para Vitória da Conquista, em meados do século XIX. Em 1857, formou-se o Arraial de Tabocas, à margem do Rio Cachoeira. A partir de 1867, migrantes sergipanos liderados por Félix Severino do Amor Divino e José Firmino Alves fundaram a Fazenda Marimbeta, núcleo formal do povoado. A consolidação veio com a expansão da cacauicultura no Sul-BA: a praça itabunense tornou-se, junto com Ilhéus, o coração econômico do ciclo do cacau brasileiro (1890-1989). Em 28/07/1910, pela Lei Estadual nº 767, Itabuna emancipou-se de Ilhéus.
No século XX, a oligarquia dos coronéis do cacau dominou a política local — figuras retratadas na obra literária de Jorge Amado (nascido em Itabuna, Fazenda Auricídia, distrito de Ferradas, 10/08/1912), criador de "Cacau" (1933), "Terras do Sem-Fim" (1943), "São Jorge dos Ilhéus" (1944), "Gabriela, Cravo e Canela" (1958) e "Tocaia Grande" (1984). Em 05/05/1978, o Papa Paulo VI criou a Diocese de Itabuna.
Em 22/05/1989, técnicos descobriram em rotina de fiscalização o fungo vassoura-de-bruxa (Moniliophthora perniciosa, antes Crinipellis perniciosa), iniciando o colapso estrutural da cacauicultura. A praga devastou ~600 mil hectares, deixou ~200 mil trabalhadores rurais desempregados, gerou migração de ~800 mil pessoas e prejuízos cumulativos de US$ 10 bi ao longo das décadas seguintes. A reconversão econômica itabunense — para comércio regional, saúde, ensino superior e indústria leve — foi resposta direta a esse choque.
Em 24-27/12/2021 (Natal), chuvas de 135 mm nas cabeceiras do Rio Cachoeira elevaram a cota a 7 metros — maior cheia desde 1967. 40% da zona urbana foi atingida; 450 casas destruídas só na Rua da Bananeira; 12 mil toneladas de detritos recolhidos em 40 dias. A enchente reabriu pleitos por reconstrução, regularização imobiliária e responsabilização. Em 2024, Augusto Castro (PSD) foi reeleito no 1º turno (58,95%) — primeiro prefeito reeleito da história de Itabuna.