História
Lauro de Freitas é um município jovem em emancipação mas antigo em ocupação: o povoado de Caji, ao longo da estrada Salvador-Litoral Norte, e a Freguesia de Santo Amaro de Ipitanga (capela do século XVII) formam o substrato colonial. Por mais de três séculos, foi distrito periférico — passou de Salvador para Montenegro (atual Camaçari) em 1880, retornou a Salvador em 1932 e ali permaneceu até a emancipação em 31/07/1962 (Lei estadual 1.727).
A separação foi articulada por moradores cansados do descaso de Salvador na prestação de serviços básicos. O nome "Lauro de Freitas" foi escolha estratégica do vereador Paulo Moreira de Souza: homenageou o engenheiro Lauro Farani Pedreira de Freitas (Alagoinhas, 1901-1950), morto em acidente aéreo em Bom Jesus da Lapa em 1950. O peso simbólico do nome — e o trauma político recente da morte do engenheiro — neutralizou a oposição soteropolitana à emancipação. O topônimo histórico foi substituído sem consulta pública, e a perda da denominação Santo Amaro de Ipitanga (rica em referências indígenas e coloniais) é até hoje lembrada como gesto top-down típico da política baiana dos anos 1960. Em 1973, o município foi incluído entre os fundadores da Região Metropolitana de Salvador (Lei Complementar Federal 14).