História
Salvador foi fundada em 29 de março de 1549 por Tomé de Sousa, primeiro Governador-Geral do Brasil, para servir como sede do governo colonial sobre o vasto Estado do Brasil. Assentada sobre falésia da península da Baía de Todos os Santos — batizada por Américo Vespúcio em 1° de novembro de 1501, dia litúrgico de Todos os Santos —, foi planejada pelo arquiteto Luís Dias como cidade fortificada. Permaneceu capital do Brasil por 214 anos (1549-1763) — mais que qualquer outra cidade na história brasileira —, até a transferência da sede para o Rio de Janeiro pelo Marquês de Pombal, decisão pragmática diante do deslocamento do eixo econômico colonial para o ouro de Minas Gerais.
Em 1551, ainda no governo de Tomé de Sousa, o Papa Júlio III criou o primeiro bispado brasileiro pela bula Super Specula Militantis Ecclesiae, consagrando Salvador como sede do PRIMAZ DO BRASIL — dignidade eclesiástica preservada até hoje pela Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Em 1624, holandeses da Companhia das Índias Ocidentais tomaram a cidade, que foi reconquistada em 1625 pela "Jornada dos Vassalos", a maior frota ibérica enviada ao Atlântico Sul até então.
No século XVIII, Salvador testemunhou a Conjuração Baiana de 1798 (Revolta dos Búzios) — primeiro movimento revolucionário com viés republicano, abolicionista e popular do Brasil, com lideranças negras e pardas (Lucas Dantas, Manoel Faustino, Luís Gonzaga das Virgens, João de Deus) enforcadas em 1799 na Praça da Piedade. No século XIX, foi palco decisivo da Independência da Bahia (2 de julho de 1823) — feriado estadual que, na cultura baiana, comemora a independência efetiva do Brasil com mais intensidade do que o 7 de Setembro.
Salvador foi o porto que mais recebeu africanos escravizados no Novo Mundo durante todo o tráfico transatlântico, e é hoje a capital com a maior população afrodescendente proporcional do país (~80% pretos+pardos no Censo 2022) — fenômeno que se traduz em sua identidade cultural, religiosa e artística como Capital Afro do Brasil.