História
Aparecida de Goiânia nasceu, em 1922, do gesto simples de devotos de Nossa Senhora Aparecida que doaram terras para que vizinhos pudessem erguer uma capela em homenagem à padroeira do Brasil. Por mais de quatro décadas o povoado permaneceu como satélite rural da capital recém-fundada Goiânia (1933), até que em 14 de novembro de 1963 a Lei Estadual nº 4.927 desmembrou o território e criou o município autônomo, fixando o nome definitivo "Aparecida de Goiânia" — combinação que ao mesmo tempo homenageava a padroeira e marcava o vínculo umbilical com a capital.
A partir dos anos 1970, com a duplicação da BR-153 (Belém-Brasília) e a busca por terras industriais mais baratas que as de Goiânia, Aparecida iniciou seu salto econômico: a Mabel (biscoitos) instalou ali sua histórica fábrica, seguida por dezenas de outras indústrias de móveis, alimentos e bebidas que viriam a dar à cidade o título de terceiro maior centro industrial do Estado. Paralelamente, loteamentos populares receberam migrantes do interior goiano, do Nordeste e do Norte, transformando o município no maior receptor de população operária da Região Metropolitana.
Entre 1980 e 2010, a população explodiu mais de sete vezes — de cerca de 42 mil para mais de 455 mil habitantes —, fenômeno demográfico que poucas cidades brasileiras experimentaram com tal intensidade. Esse crescimento turbulento gerou desafios enormes de saneamento, mobilidade, segurança e regularização fundiária, mas também forjou uma identidade própria: a do "povo aparecidense", trabalhador, devoto e resistente, distinto da identidade goianiense apesar da continuidade urbana.
No campo institucional, a maturidade veio em ondas. A inauguração do moderno Fórum no Setor Garavelo (29 de janeiro de 2011) sinalizou que o TJGO reconhecia o peso da comarca. A criação da 3ª Vara de Família em 2022, a instalação da Vara das Garantias em 2025 e — sobretudo — a elevação para entrância FINAL em 2023 (DJ 3.633/2023) consolidaram Aparecida como segunda comarca mais relevante do Estado, ao lado da capital. A própria OAB Subseção, criada em 21 de junho de 1994, conta hoje com mais de 2.200 inscritos e três salas de apoio em fóruns distintos, evidenciando o vigor da advocacia local.
O ciclo político recente tem como protagonista a família Vilela: o ex-prefeito Maguito Vilela (falecido em 2021 por complicações da Covid-19), seu sobrinho Gustavo Mendanha (prefeito 2017-2022, hoje ex-prefeito), o ex-prefeito Vilmar Mariano (2022-2024), e o atual prefeito Leandro Vilela (MDB), eleito no 2º turno de 2024 com 63,60% dos votos válidos contra o Professor Alcides (PL), em pleito marcado pela polarização entre os palanques do então governador Caiado e do ex-presidente Bolsonaro. Leandro Vilela, primo do hoje governador Daniel Vilela (que sucedeu Caiado em 31 de março de 2026), assumiu apontando déficit de R$ 300 milhões herdado da gestão anterior — e com a missão de fazer Aparecida "voltar a ser feliz como era nos tempos de Maguito e Gustavo".