História
Alfenas — do arraial dos Martins Alfena à cidade universitária do Sul de Minas
A ocupação civilizada de Alfenas começa em 09/10/1784, quando José Martins Borralho recebe sesmaria próxima à Serra da Esperança. A família Martins Alfena — descendentes de portugueses oriundos de São Vicente da Alfena, na Freguesia de Valongo (distrito do Porto, Portugal) — estabelece a base humana do povoado. Os irmãos José e Francisco Martins Borralho, ao chegarem ao Brasil, agregaram ao sobrenome o topônimo do lugar de origem, conforme costume português da época. É dessa família que deriva o topônimo Alfenas.
Em 1799, é erguida a primeira capela rústica dedicada a Nossa Senhora das Dores, substituída por capela definitiva em 1801, consagrada a São José e Nossa Senhora das Dores em terras doadas em 1805 por Francisco Siqueira Ramos e Floriana Ferreira de Araújo (Fazenda Pedra Branca). Em 21/01/1802, Januário Garcia Leal recebe a patente de capitão da Guarda Nacional. O arraial fica conhecido como "São José e Dores dos Alfenas" — nome que combina os dois padroeiros e a referência à família fundadora.
Em 14/07/1832, Decreto Imperial cria o distrito com o nome de Vila Formosa de Alfenas. No mesmo ano, Resolução do Imperador D. Pedro II institui a Igreja Matriz São José e Nossa Senhora das Dores — cujo templo definitivo seria inaugurado apenas em 30/09/1883, sob idealização do Cônego José Carlos.
A emancipação política ocorre em 07/10/1860, quando a Lei Provincial nº 1.090 desmembra o distrito dos municípios de Caldas, Jacuí e Campanha e cria a Vila Formosa de Alfenas. Em 15/10/1869, pela Lei Provincial nº 1.611, a vila é elevada a cidade. Em 23/09/1871, pela Lei Provincial nº 1.791, o nome é simplificado para "Alfenas", como se conhece até hoje. Por isso o aniversário oficial do município é comemorado em 15 de outubro.
Em 18/04/1892, instala-se a Comarca de Alfenas no TJMG — uma das mais antigas comarcas do Sul de Minas Gerais, com mais de 130 anos de funcionamento contínuo em 2026. O Fórum recebeu posteriormente o nome de Milton Campos, em homenagem ao jurista e político mineiro.
A virada acadêmica de Alfenas ocorre em 03/04/1914, com a fundação da Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas (EFOA) — uma das mais antigas escolas de Farmácia em funcionamento contínuo no Brasil — pelos idealistas João Leão de Faria (Diretor), Amador de Almeida Magalhães (Vice-Diretor), Nicolau Coutinho (Tesoureiro) e José da Silveira Barroso (Secretário). A EFOA é reconhecida pelo Estado pela Lei Estadual nº 657, de 11/09/1915, e implementa o curso de Odontologia em 1916. Em 1960, pela Lei 3.854, é federalizada. Em 1972, transforma-se em Autarquia em Regime Especial. Em 2001, vira Centro Universitário Federal (EFOA/CEUFE). Em 29/07/2005, pela Lei nº 11.154, é elevada a Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG).
Outro vetor histórico decisivo é o enchimento do Lago de Furnas em fevereiro de 1963: o reservatório da Usina Hidrelétrica de Furnas inunda ~1.440 km² distribuídos por 34 municípios, formando o "Mar de Minas". Alfenas passa a integrar o braço sul do reservatório, o que consolidaria sua vocação turística e ambiental ao longo das décadas seguintes. A ALAGO (Associação dos Municípios do Lago de Furnas) congrega as 34 cidades atingidas.
O ciclo trabalhista da cidade é marcado pela instalação da 1ª Vara do Trabalho de Alfenas em dezembro de 1992 (TRT-3) e pela inauguração da 2ª VT em 23/10/2013 — caracterizando Alfenas como sede dupla da Justiça do Trabalho regional. No mesmo período (12/12/1992), a UNIFENAS inaugura o Hospital Universitário Alzira Velano (HUAV), hospital de ensino reconhecido pelo MEC.
No século XXI, Alfenas consolidou-se como polo universitário e de saúde do Sul de Minas Gerais. Em outubro de 2024, o prefeito Fábio Marques Florêncio (PT) — médico oncologista, conhecido como "Fábio da Oncologia" — foi reeleito em primeiro turno, com posse em 01/01/2025 para o mandato 2025-2028, dando continuidade às políticas de saúde pública e ampliação do atendimento oncológico municipal.