História
Belo Horizonte foi inaugurada em 12 de dezembro de 1897 como capital planejada do estado de Minas Gerais, em substituição a Ouro Preto — decisão tomada pela Constituinte mineira de 1891 e operacionalizada pela Lei Aditiva 3 de 17 de dezembro de 1893, do governador Afonso Augusto Moreira Pena. O local escolhido foi o antigo arraial Curral del-Rei, fundado no século XVIII no ciclo do ouro pelo bandeirante Bento Pires Ribeiro (cuja padroeira Nossa Senhora da Boa Viagem foi herdada pela cidade nova). O urbanista paraense Aarão Reis liderou a Comissão Construtora da Nova Capital, que entre 1894 e 1897 desapropriou e quase totalmente demoliu o arraial para erguer a cidade nova com traçado em grade ortogonal cortado por avenidas a 45° (Av. Afonso Pena, Av. do Contorno) — inspiração combinada da Washington de L'Enfant e da Paris de Haussmann. Belo Horizonte é a PRIMEIRA capital estadual brasileira concebida e construída como cidade planejada do zero — segunda cidade planejada do BR (após Teresina, 1852, capital provincial pré-existente apenas remodelada) e 63 anos antes de Brasília (1960).
No início do século XX, BH consolidou-se como capital estadual com a instalação da Faculdade de Direito (1892), do Tribunal de Justiça e da Arquidiocese (Diocese 1921, elevada a Arquidiocese em 1924). Em 1927 foi fundada a Universidade de Minas Gerais (UMG, federalizada como UFMG em 1949) — uma das maiores universidades públicas do BR.
Entre 1940 e 1945, durante a prefeitura de Juscelino Kubitschek (JK), BH viveu sua transformação modernista: JK encomendou o Conjunto Moderno da Pampulha ao então jovem arquiteto Oscar Niemeyer, ao paisagista Roberto Burle Marx, ao pintor Cândido Portinari (azulejos da Igreja São Francisco com a Via Crúcis) e aos escultores Alfredo Ceschiatti e José Pedrosa. As obras (Igreja São Francisco de Assis, Cassino — hoje Museu de Arte da Pampulha, Casa do Baile, Iate Tênis Clube e Casa Kubitschek) foram entregues em 1942-1943, redefinindo a arquitetura brasileira e antecipando o vocabulário formal de Brasília. Em 1956, JK tornou-se Presidente do Brasil e levou Niemeyer e equipe para projetar a nova capital federal — fazendo de BH o protótipo institucional de Brasília.
Em 1973, a criação da Região Metropolitana de Belo Horizonte (LC Federal 14) consolidou a centralidade institucional da cidade sobre os 33 municípios vizinhos. Em 2010, com a inauguração da Cidade Administrativa de MG (Bairro Serra Verde, projeto Niemeyer), o Governo do Estado migrou da Praça da Liberdade — onde havia funcionado por 113 anos — para a região norte da capital, abrindo espaço para a transformação da Praça em Circuito Liberdade, conjunto cultural com 14 instituições.
Em 17 de julho de 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha foi inscrito pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade (40ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, Istambul) — 20° bem brasileiro na lista. Em 19 de agosto de 2022, foi instalado em BH, no Palácio das Artes, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) — único TRF do Brasil cuja jurisdição abrange uma única UF (MG); até então, o estado pertencia ao TRF-1 (Brasília).
Em 2025-2026, BH viveu transição política dramática: o prefeito Fuad Noman (MDB) faleceu em 26/03/2025; o vice Álvaro Damião (União Brasil) foi empossado como 51° prefeito em 03/04/2025. Em escala estadual, o governador Romeu Zema (Novo) renunciou em março/2026 para concorrer à Presidência da República, e o vice Mateus Simões assumiu o Palácio Tiradentes em 22/03/2026.