História
A história de Guaxupé tem início no contexto da decadência da mineração colonial mineira. O território, parte da zona de transição entre Minas Gerais e São Paulo, foi explorado a partir de 1813 por desbravadores em busca de terras agriculturáveis. O documento mais antigo conhecido sobre posse de terras locais data de 28 de outubro de 1818 — escritura passada em Jacuí pela qual João Martins Pereira e sua mulher Maria de Jesus do Nascimento vendiam a Antônio Gomes da Silva "terras de cultura de matos virgens e serrados" na paragem do Ribeirão do Peixe, vertente para o Rio Pardo.
Mais tarde, as terras foram transferidas a Paulo Carneiro Bastos, que doou 24 alqueires para a fundação da Capela de Nossa Senhora das Dores. Essa área era parte da Fazenda Nova Floresta. Em 1837 celebrou-se ali a primeira missa — ato considerado fundacional do Arraial de Nossa Senhora das Dores de Guaxupé. Os anais registram como fundadores Paulo Carneiro Bastos, Francisco Ribeiro do Valle, o licenciado José Joaquim da Silva e o tenente Antônio Querubim de Rezende. A capela foi construída em 1839 e ao seu redor surgiram as primeiras casas, no traçado que corresponde hoje à Avenida Conde Ribeiro do Valle.
Por volta de 1850, o arraial já contava com 180 casas, 7 ruas e engenhos. Em 1853 a povoação foi elevada a Distrito de Paz, na jurisdição de Jacuí; em 1856 criou-se a Paróquia de Nossa Senhora das Dores, pertencente à Câmara Eclesiástica de Caconde, no Bispado de São Paulo — vínculo eclesiástico-territorial que sinaliza a posição de divisa entre os dois Estados. Em 23 de junho de 1854 o povoado foi elevado a Freguesia, no termo de Jacuí e Município de São Sebastião do Paraíso. Pela Lei Provincial nº 1.189 de 23 de julho de 1864, criou-se o Distrito de Guaxupé, subordinado simultaneamente a Jacuí e São Sebastião do Paraíso. Em 12 de dezembro de 1878, pela Lei Provincial nº 2.500, o Distrito foi transferido para o município de Muzambinho. A Lei Estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, confirmou a criação do Distrito.
O grande salto institucional veio em 1904, com a chegada dos trilhos da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. A expansão econômica decorrente catalisou o movimento emancipacionista: pela Lei Estadual nº 556 de 30 de agosto de 1911, Guaxupé foi elevada à condição de Vila, desmembrada de Muzambinho. A instalação solene ocorreu em 1º de junho de 1912 — data celebrada como aniversário oficial do município. Pela Lei Estadual nº 663 de 18 de setembro de 1915, Guaxupé foi elevada à categoria de Cidade. Em 25 de janeiro de 1925, pela Lei Estadual nº 879, criou-se a Comarca de Guaxupé.
Em 24 de abril de 1932, um grupo de produtores rurais fundou a Cooperativa Agrícola Guaxupé (originalmente Cooperativa de Crédito Agrícola). Em 1957, sob a presidência histórica do Dr. Isaac Ribeiro Ferreira Leite, a cooperativa foi transformada em Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda. (COOXUPÉ) — marco fundacional do que viria a ser a maior cooperativa de café do mundo. Em 31 de dezembro de 1943, pelo Decreto-lei Estadual nº 1.058, parte do território foi cedido para o novo município de São Pedro da União.
Em 27 de abril de 1961, pela Lei Municipal nº 233, foi oficializado o Brasão de Armas do município, com o lema 'Ápice, Apta, Apis'. No século XXI, dois marcos institucionais consolidaram a posição regional de Guaxupé: o crescimento orgânico da Cooxupé (faturamento de R$ 10,5 bilhões em 2024) e a inauguração da Unidade Avançada de Atendimento do TRF-6 em 22 de janeiro de 2025 — primeira UAA solicitada por município mineiro junto ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região.