História
Guaxupé — do arraial mariano à cidade-polo do café arábica
As primeiras referências à presença civilizada na região do Ribeirão Guaxupé datam de 1813. O nome — de origem tupi-guarani (waxi + pé / "caminho das abelhas") — passa, por volta de 1814, do ribeirão para o arraial em formação. Em 1837, é celebrada a primeira missa do arraial, ato historicamente equiparado à fundação. Os fundadores registrados são Paulo Carneiro Bastos, Francisco Ribeiro do Valle, José Joaquim da Silva e Antônio Querubim de Rezende. O arraial recebe o nome devocional de "Dores de Guaxupé", em homenagem a Nossa Senhora das Dores — padroeira que permanece até hoje.
Em 1853, o arraial é elevado a distrito sob jurisdição inicial de Cabo Verde, depois de Muzambinho. Em 1864, torna-se freguesia. Mas a virada decisiva da vila em direção à modernidade urbano-cafeeira ocorre em 1904, com a chegada da Cia Mogiana de Estradas de Ferro e a inauguração da Estação Ferroviária de Guaxupé. A ferrovia abre o Sudoeste mineiro ao mercado cafeeiro nacional e atrai ondas sucessivas de imigrantes italianos e siro-libaneses — cuja marca arquitetônica permanece nos casarões do centro histórico (Palácio das Águias, Casa dos Elefantes, fachadas neoclássicas), erguidos sobretudo nas décadas de 1920 e 1930.
Em 30/08/1911, pela Lei Estadual nº 556, Guaxupé é desmembrada de Muzambinho e transformada em município. A instalação solene ocorre em 01/06/1912. Quatro anos depois, pela Lei Estadual nº 663, de 18/09/1915, recebe a categoria de cidade. No mesmo período, em 03/02/1916, o Papa Bento XV, por bula apostólica, cria a Diocese de Guaxupé, desmembrada da Diocese de Pouso Alegre — marco eclesiástico que consolida a cidade como sede diocesana do Sudoeste mineiro, com Catedral dedicada a Nossa Senhora das Dores.
O cooperativismo cafeeiro nasce em 27/10/1932: Isaac Ferreira Leite funda a Cooperativa Agrícola de Crédito que, em 1957, se transformaria na Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé Ltda. (Cooxupé) — hoje a maior cooperativa de café do Brasil, com mais de 20 mil cooperados e atuação em mais de 360 municípios. A trajetória da Cooxupé moldaria, ao longo do século XX e XXI, a identidade econômica e simbólica de Guaxupé como núcleo nacional do café arábica cooperado.
Em 01/01/1926, é instalada a Comarca de Guaxupé no TJMG, classificada como Segunda Entrância (intermediária). Em 1943, pelo Decreto-Lei Estadual 1.058, Guaxupé perde território para o novo município de São Pedro da União — que, até hoje, permanece sob a jurisdição da mesma Comarca.
O século XX trouxe, também, episódios traumáticos: as geadas históricas de 1975, 1981, 1994 e 2021 arrasaram cafezais e forçaram ondas de reconstrução. A "geada negra" de 1975 foi a mais devastadora, arrasando praticamente toda a produção do Sul-MG, modificando para sempre a estrutura fundiária (concentração) e o perfil de variedades cultivadas (mudança para clones resistentes).
Já no século XXI, Guaxupé consolidou-se como núcleo institucional do Sudoeste mineiro: a 57ª Subseção da OAB/MG segue ativa; a 1ª Vara do Trabalho de Guaxupé (TRT-3) atende oito municípios; em março de 2024, a Polícia Civil inaugurou a nova sede da DEAM; em janeiro de 2025, foi inaugurada a Unidade Avançada de Atendimento (UAA) do TRF-6 em Guaxupé, vinculada à Subseção Judiciária de São Sebastião do Paraíso, ampliando o acesso à Justiça Federal na região; em dezembro de 2025, a Prefeitura inaugurou a UPA 24h Dr. Sylvio Ribeiro do Valle com recursos próprios. A Cooxupé, em 2025, bateu recorde histórico de faturamento de R$ 16,99 bilhões — alta de cerca de 60% sobre 2024.