História
Água Preta — o coração canavieiro da Mata Sul que virou destino de arte
Água Preta é um município da Zona da Mata Sul Pernambucana, com 26.461 habitantes (Censo 2022, estimativa 2025 de 26.981), localizado a 102 km de Recife. Sua história é a própria história do ciclo canavieiro pernambucano: dezenas de engenhos coloniais, usinas gigantes (Santa Terezinha, 3ª maior do Brasil em 1930), e o pêndulo entre monocultura, conflito agrário e reinvenção cultural.
Espinha jurídica — comarca de 2ª entrância
A Comarca de Água Preta é de 2ª entrância — superior às comarcas de 1ª entrância mais comuns no interior de PE. Opera com 1ª e 2ª Varas, sendo a 2ª Vara detentora de competência em Infância e Juventude (LC 100/2007). O prédio do fórum é o Fórum Dr. Eurico Chaves, com Sala dos Advogados Bel. José Augusto Lins de Góis (aprovada pela Corte Especial TJPE em 15/08/2007). A comarca está vinculada à Diretoria Regional da Zona da Mata. A cidade depende de Palmares para serviços federais (Subseção TRF-5), trabalhistas (VT-6), OAB e MPPE (7ª Circunscrição).
Prefeito Miruca — trajetória de 25 anos na Câmara
O atual prefeito Antônio Manoel da Silva — o "Miruca" — é natural de Jundiá/AL, nasceu em 13/07/1957. Foi vereador em Água Preta desde 2001, em 5 mandatos consecutivos. Assumiu a Prefeitura em maio de 2024, com a cassação do vice-prefeito Teodorino (a chapa Noé+Teodorino havia sido cassada pelo TSE por abuso de poder econômico e compra de votos nas Eleições 2020). Venceu a eleição direta de 06/10/2024 com margem de apenas 63 votos (50,20% x 49,80%) sobre Tonhão (PP). Em 01/05/2025, migrou do PSB para a Federação União Progressista (PP/União Brasil), alinhando-se à governadora Raquel Lyra.
Usina de Arte — patrimônio nacional
A Usina de Arte, instalada na antiga Usina Santa Terezinha, é hoje referência cultural: parque artístico-botânico com mais de 50 obras ao ar livre, 40 hectares, maior orquidário do Nordeste. Foi incluída em 2026 na Rota dos Engenhos & Arte lançada pelo Sebrae Pernambuco, integrando 5 municípios da Mata Sul.
Pano de fundo jurídico — questão agrária permanente
Entre 1999 e 2010, Água Preta foi palco de dezenas de ocupações do MST em engenhos das usinas Catende e Pumaty. O episódio do incêndio da casa-grande do Engenho Cachoeira d'Antas em 2008 ficou como marco da crise agrária regional. Esse contexto moldou a demanda jurídica local por décadas: desapropriação, ações possessórias, interdito proibitório, regularização fundiária (REURB). O atual momento mescla turismo rural e advocacia imobiliária em propriedades históricas.