História
Curitiba foi povoada a partir de 1668, quando bandeirantes paulistas em busca de ouro de aluvião desceram pelos rios Belém e Barigui, em busca de pasto para tropas e ouro nas cabeceiras dos afluentes do Iguaçu. O arraial Vilinha do Mato Grosso de Curitiba consolidou-se nas décadas seguintes, e em 29 de março de 1693 o Capitão Mateus Martins Leme presidiu o ato solene de elevação da localidade a Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curitiba, instalando a primeira Câmara Municipal — data hoje considerada o aniversário oficial da cidade (festejado todo 29 de março).
Durante o período colonial e o Império, a Vila integrou a Capitania de São Paulo (depois Província), na Comarca de Paranaguá. Sua economia girou em torno do tropeirismo (rota oficial do gado do Sul para Sorocaba/SP, no chamado "Caminho das Tropas") e da erva-mate (cultivada e processada no Primeiro Planalto Paranaense, exportada via Porto de Paranaguá para Argentina e Uruguai). O ciclo do mate enriqueceu a aristocracia local — a "elite ervateira" — e financiou os primeiros prédios institucionais e residenciais nobres do Centro Histórico (Largo da Ordem, Rua XV de Novembro), incluindo o Solar do Barão (1880), hoje sede de eventos culturais.
Em 19 de dezembro de 1853, a Lei Imperial 704 desmembrou a Província do Paraná da Província de São Paulo, e Curitiba foi escolhida como capital provincial. A inauguração da Assembleia Provincial e a instalação dos primeiros órgãos de governo ocorreram em 1854 — mesmo ano da fundação da Polícia Militar do Paraná (10/08/1854), uma das mais antigas do BR. Em 1885, foi inaugurada a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, considerada uma das ferrovias mais cênicas do mundo pela travessia da Serra do Mar (com viadutos, túneis e a famosa Ponte do Inferno) — projeto dos engenheiros Antônio e André Rebouças.
Entre 1870 e 1920, Curitiba viveu sua fase de imigração europeia intensa: alemães (a partir de 1833 — Bairro Alto da Glória), italianos (Santa Felicidade, fundada 1878), poloneses (Bairro Bigorrilho, Pilarzinho — Curitiba é hoje a maior comunidade polonesa do BR), ucranianos (Bairro do Bacacheri e Prudentópolis-cidade), japoneses (Norte do PR — Londrina, Maringá), russos e holandeses. A diversidade étnica moldou os bairros (cada um com sua "etnia-mãe") e gerou os famosos "Bosques Étnicos" — Bosque do Papa (polonês), Memorial Ucraniano (Parque Tingui), Bosque Alemão (Carlitos Mickel), Praça do Japão, Memorial Árabe, todos posteriormente formalizados nos anos 1980-1990.
Em 19 de dezembro de 1912 — em homenagem aos 59 anos da emancipação do PR —, foi fundada em Curitiba a Universidade Federal do Paraná (UFPR), A PRIMEIRA UNIVERSIDADE DO BRASIL — primeira instituição brasileira fundada com o nome e a estrutura institucional de "universidade" desde a origem (USP só em 1934; UFRJ por federalização em 1920). O edifício neoclássico da Reitoria, na Praça Santos Andrade, foi inaugurado em 1914 e tornou-se símbolo institucional do Paraná.
Em 1953, nos 100 anos da emancipação, foi inaugurado o Palácio Iguaçu (Centro Cívico — projeto modernista de Olavo Redig de Campos), como sede do governo estadual, integrando o conjunto cívico-administrativo com a Alep (Palácio Dezenove de Dezembro), o TJPR (Palácio da Justiça) e o TCE-PR — pólo institucional planejado por David Xavier Azambuja, em estilo modernista.
A grande transformação urbanística de Curitiba ocorreu nos anos 1970-1990, sob comando do arquiteto urbanista Jaime Lerner (prefeito por três mandatos: 1971-1975, 1979-1984, 1989-1993; depois governador do PR 1995-2003). Em 1974, Lerner implementou o primeiro sistema BRT (Bus Rapid Transit) do mundo — ônibus expressos em canaletas exclusivas, com estações-tubo elevadas (modelo posteriormente exportado para Bogotá, Cidade do México, Istambul, Cantão e dezenas de outras metrópoles globais). Lerner também criou o Calçadão da Rua XV de Novembro (1972 — primeiro calçadão exclusivo de pedestres no BR), os parques temáticos com lagos artificiais (Tanguá em pedreira desativada, Tingui, Barigui), a Ópera de Arame (1992 — auditório de tubos de aço em pedreira), e o plano diretor com eixos estruturais (linhas Norte, Sul, Leste, Oeste, Boqueirão e Circular) que ordenaram o crescimento urbano. A imagem internacional de "Capital Ecológica do Brasil" e "Cidade-Modelo" decorre desse conjunto de intervenções planejadas, que valeu a Lerner o Prêmio Príncipe Claus (1998) e prêmios da ONU.
Em 2014-2021, Curitiba ganhou destaque mundial por outra razão: a Operação Lava Jato, conduzida pela 13ª Vara Federal de Curitiba (Justiça Federal — TRF-4/SJPR), sob comando dos juízes Sergio Moro (2014-2018), Luiz Antônio Bonat (2018-2022) e Eduardo Appio (2022-2023). A operação investigou e condenou em primeira instância dezenas de empresários, políticos e ex-presidentes (Lula condenado em 2017, posteriormente anulado em 2021 pelo STF), tornando Curitiba o endereço mundial mais reconhecido em combate à corrupção sistêmica nesse período. Em 2024, com a Operação encerrada, a 13ª VF retomou pauta convencional.