História
Londrina é a maior cidade brasileira de fundação inglesa planejada do século XX. Sua origem remonta a 1925, quando o Governo do Paraná, então sob comando do presidente Caetano Munhoz da Rocha (Decreto Estadual 23/1925), concedeu à Brazil Plantations Syndicate Ltd. — sindicato anglo-escocês recém-constituído em Londres, controlado pela Sudan Cotton Plantations e pelo aristocrata escocês 14º Lord Lovat (Simon Joseph Fraser, 1871-1933) e pelo industrial inglês Lord Cable — uma gleba de aproximadamente 515 mil alqueires entre os rios Tibagi, Paranapanema, Ivaí e Pirapó. A obrigação contratual era demarcar e colonizar a região com loteamento direto a famílias colonas, sem latifúndios.
Em 1929, a Brazil Plantations Syndicate transferiu a operação brasileira para uma sociedade anônima recém-constituída no PR — a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) —, com capital britânico-brasileiro. Em 3 de agosto de 1929, em meio à mata virgem do Norte do PR, agrimensores da CTNP cravaram o primeiro marco do "Patrimônio Cinco de Maio" (denominação inicial da futura Londrina), à margem do córrego Cambezinho. Nos anos seguintes chegaram as primeiras famílias colonizadoras — paulistas, mineiros, imigrantes japoneses (a partir de 1930-1932), alemães, italianos, eslavos (poloneses, ucranianos), sírio-libaneses. A CTNP escolheu para a futura cidade o nome "Londrina" — homenagem direta a Londres, em referência aos sócios britânicos da empresa. É o caso brasileiro mais explícito de cidade cunhada pelos próprios fundadores em homenagem à capital inglesa: literalmente "pequena Londres".
Em 3 de dezembro de 1934, a Lei Estadual nº 357, assinada pelo Interventor Federal Manoel Ribas, criou o Município de Londrina, desmembrado do município de Jataí (atual Jataizinho), do qual era distrito. A instalação solene ocorreu em 10 de dezembro de 1934, presidida pelo primeiro prefeito nomeado, Joaquim Vicente de Castro — data hoje celebrada como aniversário oficial. A primeira Câmara Municipal eletiva foi instalada em 1936. No mesmo ano, a comunidade japonesa fundou a ACEL — Associação Cultural e Esportiva de Londrina, base institucional da maior comunidade nipo-brasileira do interior do PR.
Entre 1944 e os anos 1950, a CTNP — vendida a investidores brasileiros liderados por Gastão Vidigal (Banco Mercantil de São Paulo) e renomeada Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) — prosseguiu com a colonização rumo ao oeste, fundando Maringá (1947), Cianorte (1953) e Umuarama (1955). O modelo CTNP/CMNP é considerado o maior projeto privado de colonização planejada do Brasil no século XX, com cerca de 63 cidades fundadas em três décadas.
Entre 1950 e 1975, Londrina viveu sua era dourada como Capital Mundial do Café: o Norte do Paraná tornou-se o maior produtor mundial, e Londrina foi o entreposto comercial, financeiro e logístico do ciclo cafeeiro. Em 1962, a cidade foi a 3ª do Brasil em arrecadação tributária federal (atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro) — fato que evidencia a magnitude econômica do café na época. Foram construídos prédios modernistas no Centro (Edifício Autolon, Banco do Brasil), o Cine Ouro Verde, o Calçadão da Rua Sergipe e o Lago Igapó (1959 — represamento do Cambezinho).
Em 17-18 de julho de 1975, a Geada Negra — temperaturas até -7 °C — destruiu cerca de 1,5 bilhão de pés de café em todo o Norte do PR, encerrando definitivamente o ciclo cafeeiro. A cidade entrou em processo de reconversão econômica para soja, milho, trigo, agroindústria, comércio, serviços e — sobretudo — saúde e educação superior. Não por acaso, a Embrapa Soja foi fundada em Londrina justamente em 1975 (Distrito de Warta), tornando-se o principal centro de pesquisa de soja da América Latina e marcando institucionalmente a transição. Também em 1975 foi concluída a Catedral Metropolitana Sagrado Coração de Jesus, projeto modernista do arquiteto José Augusto Bellucci.
No campo institucional, 20 de dezembro de 1956 marcou a criação da Diocese de Londrina (bula Sicut aquae multae do Papa Pio XII, separada da Diocese de Jacarezinho); em 16 de outubro de 1970, a Diocese foi elevada a Arquidiocese e Sede Metropolitana pelo Papa Paulo VI, refletindo o peso demográfico e econômico da cidade. Em 1969-1972, foi criada a UEL — Universidade Estadual de Londrina (Lei Estadual 6.034/1969, instalação 28/01/1971, transformação em universidade pelo Decreto 1.482/1972), que se consolidaria como a 2ª maior universidade estadual do PR com 37 mil alunos, sendo o pilar acadêmico da reconversão pós-café.
Em 1984, foi instalada a 1ª Vara Federal de Londrina (Av. Santos Dumont, 1.415), núcleo inicial da Subseção Judiciária. Em outubro de 1991, a Subseção foi transferida para o antigo prédio do Instituto Brasileiro do Café (IBC) — Av. do Café, 543, Aeroporto —, num ato de profundo simbolismo histórico: o edifício símbolo da política federal do café (autarquia extinta em 1990 pela Lei 8.029/90, no início do governo Collor) tornou-se a sede da Justiça Federal, registrando materialmente a transição econômica de Londrina.
Hoje, Londrina é 2ª cidade mais populosa do PR (581 mil hab. estimativa 2025; 555.965 hab. Censo 2022; 5ª do Sul), 2ª também em PIB municipal (~R$ 29 bi em 2023), 2ª em colégio eleitoral (~393 mil eleitores), 2ª em estrutura jurídica (Comarca de Entrância Final, 8 Varas Federais, OAB Subseção com 9.500 inscritos), polo médico-universitário do Norte do PR e referência nacional em pesquisa de soja (Embrapa Soja, 1975).