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Como Localizar Preso no Amapá: IAPEN, Ouvidoria e BNMP
Execução Penal

Como Localizar Preso no Amapá: IAPEN, Ouvidoria e BNMP

· 9 min de leitura

Por Felipe Smargiassi · Advogado Criminalista · OAB/MG 155.242

Experiência em plenário Todo o Brasil Resposta imediata

Para localizar uma pessoa presa no Amapá, o caminho oficial passa pelo IAPEN — Instituto de Administração Penitenciária do Amapá, que administra as unidades prisionais do estado. Diferente de estados como São Paulo ou Espírito Santo, o Amapá não tem consulta online pública de presos: não existe um portal em que a família digite o nome e descubra a unidade. A localização é feita pela Ouvidoria do IAPEN (presencial ou pelo sistema OUV Amapá), pelo BNMP do CNJ (nacional, por nome) e, com mais segurança e rapidez, por um advogado que consulta o processo pela via oficial. Este guia explica cada um desses caminhos, com os contatos verificados do órgão.

Por que o Amapá não tem consulta online de presos

A ausência de um portal público de consulta não é uma falha exclusiva do Amapá — é a realidade da maioria dos estados brasileiros. O sistema penitenciário é estadual, cada unidade da federação organiza seus próprios cadastros, e poucos estados abriram uma consulta pública por nome. Há um motivo legítimo por trás disso: a informação de que determinada pessoa está presa, e em qual unidade, é um dado sensível. Uma consulta aberta a qualquer pessoa poderia expor a pessoa presa e sua família a riscos de segurança.

Por isso o IAPEN concentra o atendimento na Ouvidoria, um canal em que a família se identifica e recebe a orientação de forma controlada. Não é um obstáculo burocrático inventado: é a forma como o estado protege o dado enquanto atende quem tem direito legítimo à informação. O que muda, na prática, é que você não vai resolver isso em cinco minutos num site — vai precisar acionar o canal certo e ter os documentos em mãos.

O IAPEN: o que é e como funciona

O IAPEN (Instituto de Administração Penitenciária do Amapá) é o órgão responsável pela custódia das pessoas presas no estado. Sua estrutura principal fica na Rodovia Duque de Caxias, km 07, bairro Cabralzinho, em Macapá, num complexo que reúne a Colônia Penal, a Penitenciária Masculina e a Penitenciária Feminina, além de unidades nos bairros Novo Horizonte e Zerão, em Macapá, e uma unidade no município de Oiapoque.

Contatos oficiais do IAPEN:

  • Sede: Rodovia Duque de Caxias, s/n, bairro Cabralzinho, Macapá-AP, CEP 68.900-000
  • Telefone da sede: (96) 3261-2700
  • E-mail da Ouvidoria: ouvidoria@iapen.ap.gov.br
  • Site oficial: iapen.portal.ap.gov.br

Passo a passo: a Ouvidoria do IAPEN

A Ouvidoria é o canal formal do IAPEN para receber pedidos, reclamações e solicitações de informação. É por ela que uma família consegue orientação sobre a situação de uma pessoa sob custódia. Há três formas de acionar:

1. Presencialmente. Este é o caminho mais direto para tratar de uma pessoa presa. A Ouvidoria atende no prédio anexo (COP) do IAPEN e também no posto SIAC Zona Oeste (Super Fácil), em Macapá. Segundo o próprio IAPEN, questões específicas sobre uma pessoa privada de liberdade são tratadas presencialmente, porque envolvem dados protegidos. Vá com documento de identidade e comprovação de vínculo familiar.

2. Pelo sistema OUV Amapá. O estado do Amapá mantém um sistema de ouvidoria unificado, o OUV Amapá (ouvamapa.portal.ap.gov.br), que funciona 24 horas para registrar manifestações formais. Você abre um protocolo, descreve o pedido de informação e acompanha a resposta. É a via escrita e rastreável — útil para deixar o pedido registrado.

3. Por e-mail. Você pode escrever para ouvidoria@iapen.ap.gov.br relatando o caso e solicitando orientação sobre como proceder.

Atenção a um ponto que evita frustração: o IAPEN informa expressamente que o WhatsApp da Ouvidoria não fornece situação de preso nem dados protegidos, por segurança. Ou seja, não conte com resolver a localização por mensagem — o caminho é o presencial ou o protocolo formal.

Ao acionar qualquer um desses canais, tenha em mãos:

  • Nome completo da pessoa presa
  • Data de nascimento
  • Nome da mãe
  • CPF ou RG, se souber
  • Número do processo ou do boletim de ocorrência, se houver

O BNMP: a consulta nacional por nome

O BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, é uma consulta pública, gratuita e nacional — vale para qualquer estado, inclusive o Amapá. No endereço portalbnmp.cnj.jus.br você pesquisa por nome, alcunha ou nome da mãe e vê se existe mandado de prisão em aberto, alvará de soltura ou guia de recolhimento registrados contra aquela pessoa.

O BNMP é valioso por um motivo: ele confirma que a prisão foi formalizada judicialmente e identifica o juízo responsável. Mas tem um limite importante, que precisa ficar claro: o BNMP não informa em qual presídio a pessoa está recolhida. Ele diz que há um mandado e de onde ele veio, não o endereço da custódia. Ainda assim, é o primeiro passo para saber qual vara conduz o caso — e, a partir dela, chegar à unidade.

O que a busca mostra — e o que ela não mostra

Antes de sair procurando, vale entender o que cada canal entrega, para não interpretar mal um resultado:

  • Recém-presos não aparecem de imediato. Nas primeiras 24 a 48 horas, a pessoa pode ainda estar em delegacia, aguardando a audiência de custódia, sem ter sido recolhida a uma unidade do IAPEN. Nesse intervalo, ela pode não constar em base nenhuma. Isso não significa que “não foi presa” — significa que o registro ainda não foi consolidado.
  • “Não consta” não prova nada. Um resultado vazio no BNMP pode decorrer de grafia diferente do nome, de mandado ainda não digitado ou de a prisão ser muito recente. Não é atestado de que a pessoa está livre.
  • Alguns dados são só para o advogado. O detalhe da execução, a unidade atual e o histórico de transferências ficam no processo, cujo acesso completo é restrito a quem está constituído nos autos.

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Quando a via oficial não basta: o advogado e o SEEU

Quando a Ouvidoria demora, quando o BNMP não esclarece a unidade ou quando o tempo é crítico, o caminho mais seguro é o advogado. Com procuração, ele acessa o SEEU (Sistema Eletrônico de Execução Unificada), o sistema usado pelas Varas de Execução Penal em todo o país. No SEEU está registrada toda a movimentação do processo de execução, inclusive as transferências entre unidades — que costumam ser o ponto cego das famílias, porque nem sempre são comunicadas.

Se a pessoa foi transferida de presídio sem aviso, é no processo que a informação aparece. O advogado também pode requerer formalmente informações ao IAPEN e ao juízo, e, em situação de urgência sem resposta, impetrar as medidas cabíveis para que o Estado informe onde a pessoa está — porque a administração penitenciária tem o dever de saber onde estão as pessoas sob sua custódia, e a omissão dessa informação pode configurar constrangimento ilegal.

Para famílias que não podem contratar advogado, a Defensoria Pública do Amapá presta esse auxílio, especialmente quando a pessoa presa ainda não tem defensor constituído.

Localizou a pessoa? Os próximos passos

Encontrar a unidade é o começo. A partir daí, dois movimentos costumam ser urgentes. O primeiro é entender o que fazer nas primeiras 48 horas após a prisão de um familiar, fase em que decisões processuais importantes são tomadas. O segundo é iniciar o cadastro de visitante e a carteirinha para visita ao preso, que segue as regras da unidade do IAPEN onde a pessoa está.

Quando procurar um advogado

Procurar um advogado não é passo obrigatório para localizar alguém — a Ouvidoria e o BNMP existem justamente para a família seguir sozinha. Mas há situações em que a apuração por profissional faz diferença: quando os canais oficiais não respondem, quando há suspeita de transferência não comunicada, quando é preciso um relatório documentado da localização, ou quando a família precisa da entrevista reservada com a pessoa presa — direito garantido ao advogado pelo art. 7º, III, da Lei 8.906/94 (Estatuto da OAB), que permite conversar em local reservado, sem escuta, dentro da unidade.

O trabalho do advogado aqui é de advocacia: diligência junto ao IAPEN e ao juízo, consulta ao SEEU, e — quando contratada — a entrevista com prerrogativa. Não é um serviço de “achar por telefone”, e sim a apuração formal pela via oficial, com o resultado documentado.

Checklist rápido — Amapá

  1. Confirme se há mandado no BNMP (portalbnmp.cnj.jus.br), por nome ou nome da mãe
  2. Acione a Ouvidoria do IAPEN — presencialmente (COP ou SIAC Zona Oeste) ou pelo OUV Amapá
  3. E-mail de apoio: ouvidoria@iapen.ap.gov.br · Sede: (96) 3261-2700
  4. Tenha em mãos nome completo, data de nascimento, nome da mãe e CPF/RG
  5. Lembre que recém-presos podem não constar em 24-48h (verifique a audiência de custódia)
  6. Sem resposta ou com urgência: advogado consulta o SEEU com procuração
  7. Sem condições de contratar: Defensoria Pública do Amapá

Conclusão

No Amapá, localizar uma pessoa presa exige um pouco mais de método justamente porque não há um portal público — e isso, embora incômodo, protege o dado de quem está sob custódia. O caminho existe e é confiável: o IAPEN pela Ouvidoria, o BNMP para confirmar o mandado, e o advogado pelo SEEU quando o tempo aperta. Se você quer partir do panorama nacional, veja os canais oficiais de todos os estados e o guia como localizar preso: qual presídio. A informação sobre onde está o seu familiar é um direito — e há caminho oficial para exercê-lo.

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Felipe Smargiassi, advogado criminalista, OAB/MG 155.242

Sobre o autor

Felipe Smargiassi

Advogado Criminalista · OAB/MG 155.242

Criminalista com atuação em Tribunal do Júri e execução penal, a partir do Sul de Minas Gerais para todo o Brasil.

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