História
A história catarinense é a história da confluência de povos. A Ilha de Santa Catarina foi avistada em 1502 pela expedição de Gaspar de Lemos, mas a colonização efetiva só começou em 1658 com Francisco Dias Velho, fundador da Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis). Entre 1748 e 1756, cerca de 6.000 açorianos e madeirenses chegaram ao litoral por ordem da Coroa Portuguesa, fundando Desterro, Laguna, Palhoça, Enseada de Brito, São José. A herança açoriana permanece viva — no boi-de-mamão, na Festa do Divino, no pastel de peixe, na renda de bilro, na farra do boi (proibida e depois regulamentada). A partir de 1824, ondas sucessivas de imigração europeia transformaram o estado: alemães (a partir de São Pedro de Alcântara em 1829, Blumenau em 1850 e Joinville em 1851), italianos (Nova Trento em 1875, Urussanga, Orleans), poloneses no Planalto Norte, ucranianos em Itaiópolis e tiroleses em Treze Tílias (1933). O território foi palco de dois episódios sangrentos: a República Juliana (1839-1840), proclamada em Laguna pelos farroupilhas de Canabarro e Garibaldi com Anita à frente; e a Guerra do Contestado (1912-1916), disputa fundiária e messiânica no planalto, marcada pela figura do monge José Maria e resolvida com o Acordo de Limites de 1916 que fixou as divisas SC-PR atuais. Durante a 2ª Guerra, comunidades alemãs e italianas sofreram restrições (proibição do idioma, fechamento de escolas) — episódio sensível na memória coletiva. No pós-guerra, SC consolidou-se como polo industrial e agropecuário, com destaque para o Vale do Itajaí (têxtil), Joinville (metalmecânica), o sul (cerâmica e carvão) e o oeste (agroindústria — berço da Sadia em Concórdia, em 1944).