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Como Localizar Preso em Goiás: Polícia Penal (DGAP) Passo a Passo
Execução Penal

Como Localizar Preso em Goiás: Polícia Penal (DGAP) Passo a Passo

· 8 min de leitura

Por Felipe Smargiassi · Advogado Criminalista · OAB/MG 155.242

Experiência em plenário Todo o Brasil Resposta imediata

Para localizar uma pessoa presa em Goiás, o caminho oficial começa pela Ouvidoria da Polícia Penal do Estado: como Goiás não tem consulta online pública de custodiado, você informa nome completo, data de nascimento e nome da mãe pelo telefone/WhatsApp (62) 3270-8733 ou pelo e-mail da Ouvidoria e pede a localização. Quando isso não basta, o caminho é o BNMP do CNJ (consulta nacional por nome) e o advogado, que localiza pelo SEEU com procuração.

Este guia foi escrito para a família que acabou de saber de uma prisão e não sabe por onde começar. Sem rodeios: em Goiás não existe um site onde você digita o nome e descobre o presídio. Vamos explicar por que isso é comum, qual é o caminho que realmente funciona e o que fazer quando ninguém responde.

Goiás não tem consulta online: por que isso é normal

Diferente de estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, que oferecem uma busca pública na internet, a Polícia Penal de Goiás não disponibiliza um portal em que qualquer pessoa consulte a localização de um preso digitando o nome ou o CPF. Isso não é falha sua nem sinal de que a prisão não existe: a maioria dos estados brasileiros simplesmente não abre esse dado na web.

As razões são legítimas. A localização de uma pessoa sob custódia é informação sensível — sua exposição aberta pode facilitar retaliações, ameaças e coações entre facções, além de expor a própria pessoa presa. Por isso, em Goiás, o dado existe e é acessível, mas por canais identificados: a família ou o advogado se identificam, comprovam o vínculo ou a prerrogativa, e recebem a informação.

Um alerta importante: se você encontrar sites que prometem “consultar preso em Goiás online na hora”, desconfie. A Polícia Penal de Goiás centraliza tudo no domínio oficial policiapenal.go.gov.br. Qualquer página fora de .go.gov.br ou .gov.br que peça pagamento ou dados pessoais para “localizar” não é oficial.

O que o GoiásPen e o Senha On-line NÃO fazem

Goiás tem sim sistemas online ligados ao presídio, e é fácil confundi-los com uma consulta. Mas eles servem para outra coisa.

  • GoiásPen e Senha On-line (senhaonline.ssp.go.gov.br) são sistemas de agendamento de visita e de organização das entregas de alimentos e itens de higiene. Quem os usa é o visitante já cadastrado, que já sabe em qual unidade o familiar está.
  • Eles não têm uma busca do tipo “onde está fulano”. Não adianta tentar usá-los para descobrir o paradeiro de quem acabou de ser preso.

Ou seja: esses sistemas entram na fase seguinte — a da visita, com cadastro e carteirinha — e não na fase de localizar. Para localizar, siga os passos abaixo.

Passo 1: Ouvidoria da Polícia Penal de Goiás

A Ouvidoria é o canal público para tratar de informações e reclamações do sistema prisional, e é por onde a família pede a localização quando não sabe em qual unidade a pessoa está. Contatos oficiais confirmados no site da Polícia Penal:

  • Telefone / WhatsApp: (62) 3270-8733
  • E-mail: ouvidoria.policiapenal@goias.gov.br
  • Endereço: Rua 202, esquina com a 11ª Avenida, Qd. 20, Lt. 8, nº 430, Setor Leste Vila Nova, Goiânia
  • Horário: de 8h às 17h, de segunda a sexta

Antes de ligar ou escrever, tenha em mãos:

  • Nome completo da pessoa presa
  • Data de nascimento
  • Nome da mãe (essencial para diferenciar homônimos)
  • CPF ou RG, se souber
  • Número do processo ou do boletim de ocorrência, se disponível

Quanto mais desses dados você fornecer, mais rápido e seguro é o retorno — especialmente o nome da mãe, que evita confusão entre pessoas de mesmo nome.

Passo 2: a sede da Diretoria-Geral e a unidade da prisão

Se a Ouvidoria não resolver de imediato, o segundo canal é a sede da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) da Polícia Penal, em Goiânia:

O site oficial (policiapenal.go.gov.br) publica ainda os telefones e endereços das unidades e das regionais. Se você já tem uma pista de onde a pessoa foi presa — a comarca ou a cidade —, ligar diretamente para a unidade ou para a regional daquela área costuma ser o caminho mais rápido. As unidades prisionais funcionam 24 horas para as demandas de custódia, ainda que a parte administrativa siga o horário comercial.

O que a consulta mostra — e o que ela não mostra

Mesmo pelos canais oficiais, três limites são importantes para você não se assustar à toa:

  1. Prisão recente demora a aparecer. Nas primeiras 24 a 48 horas, a pessoa pode ainda estar em delegacia (Polícia Civil), aguardando a audiência de custódia e a transferência para uma unidade da Polícia Penal. Nesse período, ela não consta no sistema penitenciário porque ainda não deu entrada nele — procure primeiro a delegacia da região.
  2. “Não consta” não prova que a pessoa está livre. Pode ser erro de grafia do nome, CPF trocado, cadastro atrasado ou custódia em outra esfera (unidade federal, por exemplo). A ausência de registro é um ponto de partida para investigar, não uma resposta final.
  3. Alguns dados são só para quem tem prerrogativa. Detalhes do processo de execução e movimentações internas ficam reservados ao advogado constituído e à Defensoria — não é falta de vontade do atendente, é regra de sigilo.

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Passo 3: BNMP, a consulta nacional do CNJ

Enquanto Goiás não abre a busca por nome, o BNMP (Banco Nacional de Mandados de Prisão), do Conselho Nacional de Justiça, tem consulta pública e gratuita, sem cadastro, válida para todo o Brasil.

No portal portalbnmp.cnj.jus.br, você pesquisa por nome, alcunha ou nome da mãe e descobre se existe mandado de prisão em aberto ou prisão já registrada — e qual é o juízo (a vara) responsável. O BNMP não diz em qual presídio a pessoa está, mas confirma que a prisão foi formalizada judicialmente e aponta o processo, o que direciona os próximos passos. É a checagem nacional que complementa os canais estaduais de Goiás.

Passo 4: o advogado localiza pelo SEEU

Quando os canais públicos não bastam, ou quando a urgência não permite esperar, o advogado é quem tem acesso à via mais direta.

Com procuração, o advogado consulta o SEEU (Sistema Eletrônico de Execução Unificado), também do CNJ, usado pelas Varas de Execução Penal de todo o país. O SEEU registra o processo de execução e as movimentações, incluindo a unidade prisional atual e as transferências — inclusive quando a pessoa foi transferida de presídio sem aviso. O advogado também pode oficiar diretamente à Diretoria-Geral da Polícia Penal de Goiás e requerer a informação ao juízo.

Se o Estado se omitir e ninguém informar onde a pessoa está, cabe habeas corpus para que a autoridade diga o paradeiro: o Estado tem o dever de saber onde está cada pessoa sob sua custódia, e a recusa em informar pode configurar constrangimento ilegal.

Quem não pode contratar advogado deve procurar a Defensoria Pública do Estado de Goiás, que atende gratuitamente e, na execução penal, também localiza a pessoa e acompanha o processo.

Quando procurar um advogado

Contratar um advogado para localizar não é sobre “ter contato” no presídio — é sobre apuração documentada e prerrogativa legal. O trabalho reúne, num único relatório assinado, o cruzamento de BNMP, SEEU, tribunais e sistema penitenciário estadual, e pode incluir a entrevista reservada com a pessoa presa, garantida pelo art. 7º, III, da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia).

Isso importa nos momentos em que cada hora conta — nas primeiras 48 horas após a prisão, por exemplo, ou quando é preciso confirmar rapidamente se um alvará de soltura já foi cumprido e a pessoa foi de fato liberada. A família sozinha esbarra em horário de expediente e em sigilo; o advogado tem o acesso e a via oficial.

Checklist rápido para Goiás

  1. Prisão recente? Procure primeiro a delegacia da região (Polícia Civil) — pode ainda não ter ido para o presídio.
  2. Ligue para a Ouvidoria da Polícia Penal: (62) 3270-8733 / ouvidoria.policiapenal@goias.gov.br — com nome, nascimento e nome da mãe em mãos.
  3. Sede/DGAP (62) 3270-8711 e a unidade/regional da área, pelo site policiapenal.go.gov.br.
  4. Consulte o BNMP (portalbnmp.cnj.jus.br) — nacional, público, por nome.
  5. Advogado ou Defensoria consulta o SEEU com procuração; em urgência sem resposta, habeas corpus.
  6. Já localizou? Aí sim entram o GoiásPen / Senha On-line para agendar a visita.

Conclusão

Em Goiás, localizar um preso não passa por um site de consulta — passa por pessoas e canais oficiais: a Ouvidoria e a Diretoria-Geral da Polícia Penal, o BNMP do CNJ e, quando preciso, o advogado pela via da execução penal. Saber onde está a pessoa sob custódia do Estado é um direito da família, não um favor. Reúna nome completo, data de nascimento e nome da mãe, comece pela Ouvidoria e, se a resposta demorar ou não vier, procure quem tenha acesso à via oficial. Ninguém precisa enfrentar essa espera no escuro.

Consulte também os canais oficiais de todos os estados e o guia geral de como localizar preso: qual presídio.

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Felipe Smargiassi, advogado criminalista, OAB/MG 155.242

Sobre o autor

Felipe Smargiassi

Advogado Criminalista · OAB/MG 155.242

Criminalista com atuação em Tribunal do Júri e execução penal, a partir do Sul de Minas Gerais para todo o Brasil.

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