História
A Paraíba nasceu como front de guerra. Em 5 de agosto de 1585, depois de três expedições fracassadas, portugueses comandados por Frutuoso Barbosa, Martim Leitão e Afonso Dias Caldas fundaram a Cidade Real da Nossa Senhora das Neves onde hoje se ergue o Centro Histórico de João Pessoa — um dos maiores e melhor preservados conjuntos coloniais do Brasil a leste de Salvador. A colonização foi disputada: os Potiguara resistiram com alianças indígenas-francesas; holandeses ocuparam o território de 1634 a 1654, rebatizando Filipeia de 'Frederica' em homenagem ao príncipe de Orange. Expulsos, portugueses rebatizaram a capital de Parahyba do Norte. Em 1824, a Paraíba aderiu à Confederação do Equador contra D. Pedro I e viu fuzilado o Coronel Peregrino de Carvalho. Em 1874-1875, a Guerra dos Quebra-Quilos — revolta popular contra o sistema métrico e impostos — começou em Fagundes e se espalhou por 200 cidades do Nordeste, marcando a resistência camponesa paraibana. Mas o episódio que mudaria o Brasil veio em 1930: o assassinato do presidente do estado, João Pessoa, no Café Glória, no Recife, dia 26 de julho, deflagrou a Revolução de 1930. A capital foi rebatizada em sua homenagem e o estado adotou a bandeira vermelha e preta com a palavra NEGO — a recusa paraibana à Aliança Liberal. Anos depois, entre 1955 e 1964, Sapé tornou-se centro das Ligas Camponesas de Francisco Julião, e o assassinato de João Pedro Teixeira em 2 de abril de 1962 foi imortalizado no documentário 'Cabra Marcado para Morrer' de Eduardo Coutinho. Do Potiguara colonial ao camponês das Ligas, a história paraibana é a de um povo que aprendeu a dizer NEGO.