História
O Maranhão é a única unidade da federação cuja capital foi fundada por franceses — Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, estabeleceu em 8 de setembro de 1612 o Forte de Saint-Louis, em homenagem ao rei Luís XIII, então menino de oito anos. A aventura da França Equinocial durou apenas três anos e encerrou-se na Batalha de Guaxenduba (1614) e na rendição de 1615, que devolveu São Luís ao domínio português. Entre 1641 e 1644, holandeses ocuparam a cidade no contexto da guerra contra a Espanha; a resistência local, liderada por Antônio Muniz Barreiros, a retomou. A adesão à Independência só se consolidou em 28 de julho de 1823, quase um ano depois do 7 de setembro, mediante o cerco naval de Lord Cochrane, à frente da esquadra brasileira. Logo em seguida, entre 1838 e 1841, irrompeu a Balaiada — a mais importante revolta popular do Nordeste no período imperial —, reunindo sertanejos, escravos fugidos e vaqueiros sob as lideranças de Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (o Balaio), Raimundo Gomes (Cara Preta) e do quilombola Cosme Bento das Chagas, com cerca de doze mil envolvidos. A repressão foi liderada por Luís Alves de Lima e Silva, coronel que por ali conquistou seu primeiro grande feito militar: seria agraciado Barão e, depois, Duque — dando nome à cidade maranhense de Caxias. No mesmo século, o ciclo do algodão projetou o estado como quarto maior exportador mundial do produto; São Luís enriqueceu e ergueu, com azulejos portugueses, o maior acervo urbano em azulejaria do mundo, consolidando sua alcunha de Atenas Brasileira. O ocaso do algodão com o fim da Guerra de Secessão americana (1865) aprofundou a dependência rural e a desigualdade. No século XX, o Maranhão conheceu o longo domínio das famílias Sarney e Vitorino Freire — José Sarney foi governador, senador, vice-presidente e Presidente da República (1985-1990); Roseana Sarney governou o estado por três mandatos. A hegemonia foi rompida em 2014 com a eleição de Flávio Dino (PCdoB), que passou o cargo em 2022 ao vice Carlos Brandão (PSB), hoje sem partido, o qual venceu com 51,29% no primeiro turno e consolidou a transição de poder. Em abril de 2026, na sucessão do governo estadual, o vice Felipe Camarão (PT) concorre ao Planalto estadual contra Eduardo Braide (PSD) e Lahésio Bonfim (Novo), num cenário em que Brandão decidiu permanecer no cargo até o fim do mandato.