História
João Pessoa nasceu como cidade real em 5 de agosto de 1585, em resposta estratégica à aliança Potiguara-francesa que ameaçava a soberania portuguesa no Atlântico Sul. A expedição de Frutuoso Barbosa, Martim Leitão e Afonso Dias Caldas chegou ao Porto do Capim, às margens do Rio Sanhauá, no dia litúrgico de Nossa Senhora das Neves — rara coincidência entre efeméride civil e religiosa que a cidade celebra até hoje juntas, em 5 de agosto. Em 1588, recebeu o nome de Filipeia em homenagem a Filipe II da Espanha, que acumulava a coroa portuguesa na União Ibérica. Em 1634 foi conquistada pelos holandeses e rebatizada Frederikstad, integrando a Nova Holanda de Maurício de Nassau ao lado de Mauritsstad (hoje Recife). Com a expulsão holandesa em 1654, recuperou o nome da capitania — Parahyba. Aderiu à Confederação do Equador em 1824 contra D. Pedro I, pagando o preço do fuzilamento do Coronel Peregrino de Carvalho. Viu o Quebra-Quilos alcançar suas ruas em 1874. Mas o episódio decisivo veio em 1930: o assassinato do presidente do estado João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque no Café Glória do Recife, em 26 de julho, deflagrou a Revolução daquele ano. A capital recebeu, pela Lei nº 30 de 4 de setembro de 1930, o nome que carrega até hoje — João Pessoa — tornando-se a única capital brasileira com cinco nomes oficiais ao longo de sua história. O Centro Histórico tombado pelo IPHAN em 28 de dezembro de 2007 preserva parte substancial dessa estratificação: igrejas seiscentistas, casario colonial, o Porto do Capim, o Casarão dos Azulejos (agora Museu Eleitoral da Paraíba desde março de 2026), o conjunto franciscano de São Francisco tombado desde 1938.