História
A história de Brasília como Capital Federal nasce da Missão Cruls (1892-1893), comissão exploradora chefiada pelo astrônomo belga Louis Cruls, que delimitou em 14,4 mil km² o "Quadrilátero Cruls" — área hoje conhecida como Planalto Central. A primeira Constituição Republicana (1891) já previa a transferência da capital para o interior; a Constituição de 1946, mais explícita, determinou no art. 4º das Disposições Transitórias: "A Capital da União será transferida para o planalto central do país."
O destino só se materializou no governo de JUSCELINO KUBITSCHEK (1956-1961), que assumiu o compromisso em comício no município de Jataí/GO em 1955 — episódio popularizado como "promessa a seu Toniquinho". Em outubro de 1957, o Congresso aprovou a Lei 3.273/1957 (proposta pelo deputado federal goiano Emival Ramos Caiado, tio de Ronaldo Caiado), marcando 21/04/1960 como data oficial da transferência. A escolha do dia 21 de abril não foi coincidência: simboliza o martírio de Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira — associando a nova capital ao ideal republicano e ao espírito de independência.
O Concurso Nacional do Plano Piloto da Nova Capital do Brasil, lançado em 30/09/1956, recebeu 26 propostas (27 validadas após análise técnica). O júri, do qual fazia parte o próprio Oscar Niemeyer, elegeu o projeto de LÚCIO COSTA — um relatório com 23 páginas e desenhos a lápis, partindo de dois eixos cruzando-se em ângulo reto, "gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse". Costa estabeleceu quatro escalas urbanas — monumental, residencial, gregária e bucólica — que se tornariam o vocabulário arquitetônico da cidade. Niemeyer ficou responsável pelos monumentos: Congresso Nacional, Palácio do Planalto, STF, Palácio da Alvorada, Catedral, Itamaraty, e dezenas de edificações na Esplanada e na Praça dos Três Poderes.
Em 17/12/1956 surge o Núcleo Bandeirante (originalmente "Cidade Livre"), acampamento de candangos — trabalhadores vindos sobretudo do Nordeste para erguer a nova capital. Em apenas 3 anos e meio, milhares de operários (estimativas variam entre 60 e 100 mil candangos) construíram a infraestrutura essencial. Em 21/04/1960, JK inaugurou oficialmente Brasília, com apenas algumas estruturas concluídas (Congresso, Planalto, alguns blocos das superquadras).
A Lei 3.751/1960 (Lei Santiago Dantas) regulou a organização do novo Distrito Federal e vetou alterações no Plano Piloto sem autorização legal — proteção que só seria efetivamente regulamentada pelo Decreto Distrital 10.829/1987, antes mesmo da inscrição UNESCO. Em 07/12/1987, em Paris, na 11ª Reunião Ordinária do Comitê do Patrimônio Mundial, Brasília foi inscrita como PATRIMÔNIO MUNDIAL DA HUMANIDADE (n.445) — PRIMEIRO conjunto urbano do século XX a receber o título, e cidade mais nova com tombamento urbano da UNESCO. Em 03/1990, o IPHAN inscreveu o Conjunto Urbanístico no Livro do Tombo Histórico.
Brasília viveu o regime militar (1964-1985) como capital de um país em ditadura. A UnB foi cercada e invadida diversas vezes pelo Exército e DOPS; em 18/10/1965, 209 professores se demitiram em protesto contra a perseguição política. A redemocratização trouxe a Constituição Cidadã (1988), que reconheceu o DF como ente federado autônomo (Art. 1º), vedou sua divisão em municípios (Art. 32) e lhe deu Câmara Legislativa própria (Art. 32 §3º). A primeira eleição direta para Governador do DF foi em 03/10/1990 — Joaquim Roriz (PDT) venceu.
Em 09/12/1993 foi promulgada a Lei Orgânica do DF — equivalente a uma "constituição estadual" cumulada com "lei orgânica municipal", refletindo a natureza sui generis do DF. Em 2012, a EC 69 (PEC 445/2009) transferiu para o DF a competência de organizar sua própria Defensoria Pública — a DPDF passou a ser distrital.
No século XXI, Brasília consolidou-se como centro institucional global: capital de uma das 10 maiores economias do mundo; sede de 130+ missões diplomáticas; centro de decisão política da América do Sul. Sediou a Copa do Mundo FIFA 2014 (7 jogos no Estádio Mané Garrincha) e os Jogos Olímpicos Rio 2016 (futebol no Mané Garrincha).
O capítulo mais traumático do DF democrático ocorreu em 08/01/2023: bolsonaristas radicalizados invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF. O Min. Alexandre de Moraes do STF afastou cautelarmente o governador IBANEIS ROCHA (MDB) por 90 dias. O Pres. Lula decretou INTERVENÇÃO FEDERAL na segurança pública do DF (Decreto 11.377/2023) — primeira intervenção federal no DF desde sua criação. Os golpistas foram processados pelo STF; muitos foram condenados em 2024-2025.
Em 30/03/2026, IBANEIS ROCHA renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado. CELINA LEÃO (PP), vice-governadora, assumiu como PRIMEIRA MULHER GOVERNADORA DO DF — marco histórico para a representação feminina no Centro-Oeste. Sua administração herdou a crise do BRB (Banco de Brasília), envolvido em compra de carteiras "podres" do Banco Master no final de 2025.