História
A história de Cariacica é a história da chegada — chegada do homem branco, chegada do trabalho escravo, chegada da liberdade insurreta, chegada da industrialização. Seu nome vem do tupi "Cari-jaci-caá" ("chegada do homem branco"), em referência ao porto fluvial onde os colonos portugueses, vindos de Vila Velha pelo Rio Jucu, desembarcavam no final do século XVI para construir engenhos de cana-de-açúcar. Os tupiniquins originalmente habitavam a região; o termo identificava o ponto de chegada dos imigrantes. Os jesuítas chegaram no século XVII e fundaram em Maricará um colégio com convento, parte da rede missionária do litoral capixaba (Reis Magos em Nova Almeida/Serra, Reritiba em Anchieta). Em 16/12/1837 nasceu oficialmente a Freguesia de São João Batista de Cariacica — ainda sem igreja nem padre. A construção da Igreja Matriz pelo frei capuchinho italiano Ubaldo Civitella di Trento começou em 1845 e foi concluída em 1851. Após a Insurreição do Queimado (19/03/1849, na vizinha Serra), sobreviventes refugiaram-se em Cariacica e fundaram o QUILOMBO DE RODA D'ÁGUA — comunidade remanescente que persiste até hoje com a tradição centenária do Carnaval de Congo de Máscaras. A emancipação política veio com o Decreto nº 57 do governador Constante Sodré em 30/11/1890 — logo após a Proclamação da República. A instalação oficial do município ocorreu em 30/12/1890, com 9 governadores (atuais vereadores) constituindo a Câmara Municipal. A então "Vila de São João" começou a se transformar com marcos pioneiros: 1904 — inauguração da Estação de Porto Velho, MARCO ZERO da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), uma das ferrovias mais importantes do Brasil; 1910 — Estação Cariacica; 1911 — abertura da 1ª RODOVIA DO ESPÍRITO SANTO ligando a vila à capital; 1913 — serviço telefônico; 1914 — iluminação elétrica. No século XX, a industrialização rápida da Grande Vitória trouxe a CST/ArcelorMittal Tubarão à Serra (1976/1983), o Complexo Portuário (Vitória), o Porto Seco (a partir dos anos 1990 em Cariacica) e os principais centros logísticos do estado. Hoje, Cariacica é a 3ª maior cidade do ES, 4º maior PIB capixaba (R$ 12,1 bi, 13% da riqueza da Grande Vitória), 1ª no estado e 8ª no Brasil em facilidade para abertura de empresas, e sede do Grupo Águia Branca — o maior grupo empresarial do Espírito Santo. A vocação histórica de "porta de entrada" do território — desde a chegada dos colonos até o desembaraço aduaneiro contemporâneo — define a identidade cariaciquense.