História
Vila Velha nasce com o Brasil colonial. Em 23 de maio de 1535, Vasco Fernandes Coutinho aporta na barra da Baía de Vitória com 60 homens, sementes e instrumentos, e funda a Vila do Espírito Santo — primeira povoação portuguesa em território capixaba. A donataria havia sido recebida em 1º de junho de 1534, das mãos de D. João III. A localização era estratégica do ponto de vista marítimo, mas frágil do ponto de vista defensivo: a vila ficava em terreno plano, ao sopé de morros, exposta aos ataques constantes dos Goytacás, Tupinambás e Aimorés, sem mencionar os corsários franceses que rondavam o litoral. Em 1538, Coutinho retornou a Portugal a pedir reforços; nesse intervalo, a vila quase sucumbiu. Em 1550, Pero do Campo Tourinho enviou socorro de Porto Seguro/BA. Em 1551, sob a pressão de ataques renovados e por sugestão dos jesuítas Afonso Brás e Vicente Rodrigues, a SEDE DA CAPITANIA FOI TRANSFERIDA PARA A ILHA DE NOSSA SENHORA DA VITÓRIA — protegida pela própria geografia. A povoação original passou a ser chamada "Vila Velha" por contraposição. O nome resistiu ao tempo e é hoje o topônimo oficial. O século XVI viu nascer a evangelização: em 1551, o jesuíta Afonso Brás finalizou a Igreja do Rosário, uma das mais antigas em uso contínuo no BR. Em 1558, o frade espanhol Frei Pedro Palácios chegou ao ES trazendo o painel de Nossa Senhora das Alegrias. Estabelecendo-se inicialmente numa gruta da Prainha, depois subiu o morro e ali ergueu, entre 1566 e 1570, a Ermida das Palmeiras. Em 1570, com a chegada da imagem encomendada de Portugal, celebrou-se a primeira festa de Nossa Senhora da Penha. Palácios morreu pouco depois e seu processo de canonização foi instaurado em 1616. As obras do Convento começaram em 1652, sob patrocínio do Governador do Rio Salvador de Sá e Benevides, e terminaram em 1660. Em 1860, D. Pedro II visitou o santuário; em 1881, o Papa Leão XIII concedeu indulgências aos romeiros. Em 1943, o IPHAN tombou o conjunto. O século XIX trouxe industrialização incipiente: em 1822, a vila recebeu título de cidade; em 1828, emancipou-se como município. O isolamento começou a ceder em 1928, com a inauguração da Ponte Florentino Avidos, primeira ligação fixa Vila Velha-Vitória. Em 1929, o imigrante alemão Heinrich Meyerfreund fundou na Glória a Chocolates Garoto — começou como pequena confeitaria, viria a ser uma das maiores do mundo. Em 1989, a Terceira Ponte selou a integração metropolitana. Em 1995, a Lei Complementar Estadual 58 criou a Região Metropolitana da Grande Vitória; Vila Velha foi um dos sete municípios-fundadores. No século XXI, a cidade consolidou-se como segunda em população do ES, com IDHM 0,800 (segundo do estado), economia diversificada e identidade cultural forte ancorada na devoção à Nossa Senhora da Penha. Em 2024, Arnaldinho Borgo (PODE) foi reeleito com 79,04% — o maior percentual de votos válidos da história recente do município. Em 2025, a Câmara Municipal passou de 17 para 21 vereadores, traduzindo institucionalmente o crescimento. Em 491 anos, a cidade que perdeu a capital virou metrópole.