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Holding familiar é uma empresa criada para guardar os bens de uma família (imóveis, participações em outras empresas, aplicações) e organizar quem fica com o quê. Os pais transferem os bens para o capital da empresa e depois doam as quotas aos filhos, em geral com usufruto, mantendo a administração e a renda enquanto viverem. Quando a empresa guarda imóveis e recebe aluguel, é chamada também de holding patrimonial. Esta página é para a família que está decidindo se vale a pena: explica para que serve, o que se paga para montar e para manter, o que a reforma tributária muda, os riscos e o passo a passo.
Atualizado em 08/10/2026: inclui a retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50.000,00 por mês (Lei 15.270/2025), o acréscimo na presunção do lucro presumido acima de R$ 5 milhões de receita (LC 224/2025), o novo conceito de valor venal do ITBI (LC 227/2026), a base das quotas no ITCMD (LC 227/2026, art. 154), o julgamento do Tema 1.348 do STF, o cronograma da CBS e do IBS e a situação do ITCD em Minas.
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“Holding” vem do inglês to hold, deter. É a empresa que detém bens ou participações em vez de produzir ou vender. Os nomes que circulam descrevem lados diferentes da mesma ideia:
| Nome | O que descreve | Exemplo |
|---|---|---|
| Holding familiar | quem são os sócios e para que serve: a família e a sucessão | pais e filhos sócios de uma empresa que guarda os bens da família |
| Holding patrimonial | o que a empresa guarda: imóveis, aplicações | empresa dona de salas comerciais alugadas |
| Holding pura | só detém participações em outras empresas e vive dos lucros que elas distribuem | empresa sócia da indústria da família |
| Holding mista | detém participações e também exerce atividade própria, como locação | empresa sócia da indústria e dona de imóveis alugados |
O tipo mais usado é a sociedade limitada: a responsabilidade de cada sócio fica restrita ao valor das suas quotas, e o contrato social comporta regras de família (quem administra, quem pode entrar, como se vendem quotas, o que acontece na morte de um sócio). Para o direito, quotas são bens móveis, porque são direitos pessoais de caráter patrimonial (Código Civil, art. 83, III). Esse detalhe pesa no ITCMD, como se verá.
Para que serve uma holding familiar?
Para três coisas, nesta ordem de importância.
Sucessão planejada. Os pais doam as quotas aos filhos em vida, com reserva de usufruto: continuam administrando e recebendo a renda, e os filhos já são donos. Com a morte do doador, o usufruto se extingue e as quotas doadas não entram no inventário. A partilha fica feita em vida, com as regras que a família escolheu, dentro do limite da legítima: metade do patrimônio é reservada aos herdeiros necessários (Código Civil, art. 1.846).
Organização. Imóveis que estavam em nome de várias pessoas passam a ter uma administração só, com contabilidade, regras de decisão e de distribuição de lucros no contrato social. A venda de um imóvel deixa de depender da assinatura de cada herdeiro e de cada cônjuge, e passa a seguir o quórum combinado entre os sócios.
Separação patrimonial. Os bens passam a ser da empresa, e não das pessoas. Isso ajuda a gestão e pode dar proteção legítima contra riscos futuros, mas não é blindagem: o juiz pode desconsiderar a empresa quando há desvio de finalidade ou confusão patrimonial, e isso vale também para alcançar bens da empresa por dívidas dos sócios (Código Civil, art. 50, caput e § 3º).
A holding não elimina imposto por mágica nem livra de dívida antiga. A economia, quando existe, vem da comparação entre a tributação da pessoa física e a da empresa, e entre o custo de um inventário e o da doação em vida, feita com os números de cada família.
Quanto custa montar uma holding familiar e quais tributos incidem?
O custo de formação tem três partes: os registros (Junta Comercial e cartório de registro de imóveis), os honorários de quem estrutura e os tributos. Os tributos são a parte que mais varia de um caso para outro.
| Tributo na formação | Quando incide | Base legal |
|---|---|---|
| ITBI (municipal) | na integralização de imóvel, se a empresa tiver atividade imobiliária preponderante, ou no valor que exceder o capital | Constituição, art. 156, § 2º, I; CTN, arts. 36 a 38; STF, Tema 796 |
| Imposto de renda (federal) | na integralização pelo valor de mercado, sobre a diferença em relação ao valor declarado | Lei 9.249/1995, art. 23; Lei 8.981/1995, art. 21 |
| ITCMD (estadual; ITCD em Minas) | na doação das quotas aos herdeiros | Constituição, art. 155, I e § 1º; LC 227/2026, art. 154; em Minas, Lei 14.941/2003 |
ITBI na integralização dos imóveis
A Constituição torna imune de ITBI a transferência de imóvel para integralizar o capital de uma empresa, salvo quando a atividade preponderante da empresa for a compra e venda de imóveis, a locação ou o arrendamento mercantil (art. 156, § 2º, I). O CTN detalha a conta: há atividade preponderante quando mais de 50% da receita operacional da empresa, nos 2 anos anteriores e nos 2 anos seguintes à aquisição, vem dessas operações. Se a empresa começou depois da aquisição, ou menos de 2 anos antes, contam os 3 primeiros anos seguintes. Confirmada a preponderância, o imposto se torna devido nos termos da lei vigente na data da aquisição (arts. 36 e 37).
Para a holding patrimonial, esse é o ponto mais sensível: a empresa nasce para receber aluguel. Se a receita de locação passar de 50% nos três primeiros anos, o município pode cobrar o ITBI depois. A composição da receita (aluguel, lucros de outras empresas, outras atividades) precisa ser desenhada antes da integralização.
O alcance dessa ressalva está em julgamento no STF. No Tema 1.348 da repercussão geral (RE 1.495.108), o tribunal decide se ela vale para a integralização de capital ou só para fusão, incorporação, cisão e extinção de empresa; segundo o noticiário jurídico, o julgamento foi suspenso por pedido de vista em setembro de 2026, sem tese fixada.
Há um segundo limite, do STF: a imunidade não alcança o valor dos bens que exceder o limite do capital social a ser integralizado (Tema 796 da repercussão geral, RE 796.376, julgado em 05/08/2020). O atrito mais comum vem daí. O imóvel entra pelo valor da declaração de imposto de renda, abaixo do mercado, e o município entende que a diferença excede o capital. Vale simular os dois cenários e conhecer a posição do município antes do registro.
Desde a LC 227/2026, o CTN define o valor venal do ITBI como o valor pelo qual o imóvel seria negociado à vista, em condições normais de mercado, estimado por critérios técnicos que o município deve divulgar; o contribuinte pode contestá-lo com avaliação contraditória (art. 38, §§ 1º a 3º). Em Belo Horizonte, as regras locais estão em ITBI de BH: quem paga e como calcular, e a calculadora de ITBI das capitais dá a ordem de grandeza.
Imposto de renda na integralização
A pessoa física pode transferir bens para o capital da empresa pelo valor que consta da sua declaração de bens ou pelo valor de mercado (Lei 9.249/1995, art. 23). Pelo valor da declaração, não há imposto agora, e as quotas entram na declaração pelo mesmo valor. Pelo valor de mercado, a diferença a maior é ganho de capital, tributado na pessoa física de 15% a 22,5%, conforme a faixa do ganho (Lei 8.981/1995, art. 21, na redação da Lei 13.259/2016).
A escolha mexe em três contas ao mesmo tempo: o imposto de renda agora, o risco de ITBI sobre a diferença do Tema 796 e o custo do imóvel dentro da empresa, que define o ganho numa venda futura. Não há resposta pronta; há simulação.
ITCMD na doação das quotas
A doação das quotas aos filhos é fato gerador do ITCMD. Como quota é bem móvel, o imposto é do estado onde mora o doador, e não do estado onde fica o imóvel (Constituição, art. 155, § 1º, II, na redação da EC 132/2023). Alíquota e base são definidas pela lei estadual.
A LC 227/2026, que trouxe as normas gerais do ITCMD, mudou o ponto que mais pesa na holding. Para quotas sem negociação em bolsa, a base deve ser apurada por metodologia técnica e não pode ficar abaixo do patrimônio líquido ajustado a valor de mercado, somado ao valor de mercado do fundo de comércio, conforme a lei de cada estado (art. 154, II). A regra depende de o estado adaptar a sua lei, e o aumento de imposto que vier dela só vale depois das anterioridades anual e de 90 dias (Constituição, art. 150, III, b e c).
Em Minas, o ITCD tem alíquota de 5% (Lei 14.941/2003, art. 10). Para quotas que não são negociadas em bolsa, a lei mineira, ainda não adaptada, admite o valor patrimonial, mas tem uma trava pensada para holdings: se o capital foi integralizado com bens há menos de cinco anos, a base não pode ficar abaixo do valor venal atualizado desses bens (art. 5º, §§ 1º e 2º). As doações ao mesmo donatário também se somam em três anos civis (art. 11). Em Minas, portanto, integralizar o imóvel pelo valor da declaração e doar as quotas logo depois não reduz a base do imposto.
Declaração, desconto e prazo do imposto mineiro estão em ITCD em Minas Gerais e em ITCD na doação. Para outros estados, veja ITCMD em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul; a calculadora de ITCMD compara os estados.
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O argumento mais repetido a favor da holding patrimonial é o aluguel. A conta precisa ser feita com as regras de 2026.
Na pessoa física, o aluguel entra na tabela progressiva do imposto de renda, com alíquota máxima de 27,5% (tabela de 2026 da Receita Federal), depois das deduções que a lei admite. Na holding do lucro presumido, a base do IRPJ e da CSLL é 32% da receita de locação (Lei 9.249/1995, arts. 15, § 1º, III, “c”, e 20). Sobre essa base incidem IRPJ de 15%, adicional de 10% sobre o lucro presumido que passar de R$ 20.000,00 por mês e CSLL de 9%; sobre a receita, PIS de 0,65% e Cofins de 3% (Lei 9.249/1995, art. 3º; Lei 7.689/1988, art. 3º, III; Lei 9.715/1998, art. 8º, I; Lei 9.718/1998, art. 8º).
Exemplo, com números redondos. Um só proprietário, que já está na faixa de 27,5%, recebe R$ 30.000,00 por mês de aluguel de salas comerciais.
| Valores de 2026, por mês | Aluguel na pessoa física | Aluguel na holding (lucro presumido) |
|---|---|---|
| Imposto sobre o aluguel | R$ 7.341,27 (27,5% menos a parcela a deduzir de R$ 908,73, antes das deduções legais) | R$ 3.399,00 (IRPJ R$ 1.440,00, CSLL R$ 864,00, PIS R$ 195,00, Cofins R$ 900,00) |
| Carga sobre o aluguel | cerca de 24,5% | 11,33%, sem adicional, porque o lucro presumido de R$ 9.600,00 fica abaixo de R$ 20.000,00 |
| Custos que só a empresa tem | não há | contabilidade, escrituração e declarações da empresa |
| Lucro que chega ao sócio | não se aplica | sem retenção até R$ 50.000,00 por mês da mesma empresa para o mesmo sócio; acima disso, 10% sobre o total |
A diferença existe, mas não fecha a conta. Três fatores podem reduzi-la:
- Dividendos. Desde 01/01/2026, lucros pagos pela mesma empresa à mesma pessoa física acima de R$ 50.000,00 num mês sofrem retenção de 10% sobre o total pago, sem deduções (Lei 9.250/1995, art. 6º-A, incluído pela Lei 15.270/2025). Quem soma rendimentos acima de R$ 600.000,00 no ano entra na tributação mínima, com alíquota que sobe até 10% a partir de R$ 1.200.000,00 (art. 16-A). Lucros apurados até 2025, com distribuição aprovada até 31/12/2025 e pagos nos termos aprovados, ficam fora da retenção (art. 6º-A, § 3º).
- Receita alta. No lucro presumido, a parcela da receita bruta que passar de R$ 5.000.000,00 no ano tem os percentuais de presunção acrescidos de 10% (LC 224/2025, art. 4º, § 4º, VII, e § 5º).
- Venda de imóvel. A venda de imóvel que está dentro da holding segue a tributação da empresa, não a da pessoa física. Antes de integralizar um imóvel que a família pretende vender em pouco tempo, as duas contas precisam ser comparadas.
O regime da empresa também é escolha, e o simulador de enquadramento tributário ajuda a comparar lucro presumido e lucro real.
O que a reforma tributária muda para a holding?
Três mudanças, com calendários diferentes.
ITCMD progressivo. A EC 132/2023 determinou que o ITCMD “será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação” (Constituição, art. 155, § 1º, VI). A regra depende de lei de cada estado, e a LC 227/2026 trouxe normas gerais do imposto para todos eles, inclusive a base das quotas a valor de mercado (art. 154, II). Em Minas, a alíquota segue única, de 5%, e o projeto que altera o ITCD mineiro (PL 2.881/2024) ainda não virou lei: em 08/10/2026, aguardava designação de relator na Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária da Assembleia. Quem doa hoje em Minas paga pela lei de hoje; a simulação deve mostrar o cenário atual e o proposto.
ITBI. A LC 227/2026 trocou o conceito de valor venal do ITBI pelo valor de mercado à vista, com critérios técnicos públicos e direito de contestar (CTN, art. 38, §§ 1º a 3º). A imunidade na integralização, que está na Constituição e nos arts. 36 e 37 do CTN, não mudou.
CBS e IBS sobre o aluguel. A LC 214/2025 trata a locação, o arrendamento e a cessão temporária de imóvel como operações sujeitas à CBS e ao IBS, com o local da operação onde o imóvel estiver (arts. 3º, § 3º, 4º, § 2º, II, e 11, II). O calendário vem da Constituição e da Receita Federal:
| Ano | CBS (federal) | IBS (estados e municípios) | Tributos que saem |
|---|---|---|---|
| 2026 | teste de 0,9%, compensado com PIS e Cofins | teste de 0,1% | nenhum |
| 2027 e 2028 | cobrança plena, com a alíquota reduzida em 0,1 ponto | 0,1% (0,05% estadual e 0,05% municipal) | PIS e Cofins extintos |
| 2029 a 2032 | plena | cresce enquanto ICMS e ISS caem para 9/10, 8/10, 7/10 e 6/10 | ICMS e ISS em redução |
| 2033 | plena | plena | ICMS e ISS extintos |
Para a holding, a troca é concreta: o PIS e a Cofins sobre o aluguel saem em 2027, e entram a CBS e, aos poucos, o IBS, com as regras que a mesma lei traz para imóveis. A comparação entre aluguel na pessoa física e na holding precisa ser refeita com esses números antes de 2027, inclusive para holdings já constituídas. O cronograma geral está em reforma tributária em 2026.
Quais são os riscos e as desvantagens da holding familiar?
- Fraude contra credores. A doação de bens por devedor já insolvente, ou que fica insolvente com ela, pode ser anulada a pedido dos credores (Código Civil, art. 158), e o mesmo vale para contratos onerosos do insolvente quando a insolvência é notória (art. 159). Holding montada para esvaziar patrimônio diante de dívida existente não protege nada; o tema está em blindagem patrimonial: o que é legal e o que é fraude.
- Fraude à execução fiscal. Com débito tributário inscrito em dívida ativa, a alienação ou oneração de bens presume fraude, salvo se o devedor reservar bens suficientes para pagar tudo (CTN, art. 185).
- Desconsideração. Se a empresa for usada para lesar credores ou se o patrimônio da família e o da empresa se misturarem (imóvel usado como se fosse de um sócio, sem contrato nem contabilidade), o juiz pode alcançar bens de um para pagar dívidas do outro (Código Civil, art. 50).
- Planejamento abusivo. A autoridade fiscal pode desconsiderar atos praticados para dissimular o fato gerador (CTN, art. 116, parágrafo único), e o negócio simulado é nulo (Código Civil, art. 167). Estrutura sem propósito além de pagar menos imposto, com documentos que não refletem a realidade, é alvo.
- Legítima. A doação dos pais aos filhos é adiantamento do que lhes cabe por herança (Código Civil, art. 544), e é nula a parte que exceder o que o doador poderia dispor em testamento (art. 549). Quotas doadas de forma desigual, sem respeitar a legítima, abrem disputa entre herdeiros.
- Custos permanentes. Contabilidade, escrituração, declarações e taxas todos os anos, enquanto a empresa existir.
- Tributação na saída. Venda de imóvel e distribuição de lucros seguem as regras da empresa, com a retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50.000,00 por mês desde 2026.
- Conflito familiar. A holding leva a discussão da partilha para dentro do contrato social. Família que não decide junta vai discordar como sócia.
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- patrimônio pequeno, em que os custos de formar e manter a empresa superam o que se economiza no inventário e no aluguel (a calculadora de custos do inventário ajuda a comparar);
- um único imóvel residencial, usado pela própria família;
- imóvel que será vendido em pouco tempo;
- dívidas já existentes ou execução em curso: a estrutura não protege e pode ser anulada;
- falta de disposição para manter contabilidade e regras de sócio por muitos anos;
- família em conflito aberto.
Nesses casos, doação direta com reserva de usufruto, testamento ou inventário extrajudicial costumam resolver com menos custo. O panorama dos instrumentos está em planejamento sucessório, e a gestão de empresas da família, em governança corporativa em empresas familiares.
Como fazer uma holding familiar, passo a passo?
- Diagnóstico. Lista de bens com valor de declaração e de mercado, dívidas, regime de bens do casal, herdeiros, estados onde ficam os imóveis e onde moram os doadores.
- Simulação. Três cenários lado a lado (inventário futuro, doação direta e holding), com ITCMD, ITBI, imposto de renda, registros e custo anual da empresa. É aqui que se decide se vale a pena.
- Contrato social. Tipo societário, objeto, quem administra, quóruns, distribuição de lucros, regras de venda de quotas e de preferência entre sócios, entrada ou não de cônjuges, e o destino das quotas se um sócio morrer.
- Registro. Arquivamento na Junta Comercial e inscrição no CNPJ.
- Integralização dos imóveis. Escolha entre valor de declaração e valor de mercado; pedido de reconhecimento da imunidade de ITBI ao município; registro no cartório de imóveis, com a certidão da Junta Comercial como título (Lei 8.934/1994, art. 64).
- Doação das quotas. Instrumento de doação com reserva de usufruto e, se a família quiser, cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade; declaração e pagamento do ITCMD (em Minas, pela Declaração de Bens e Direitos no e-ITCD); alteração do contrato social.
- Manutenção. Contabilidade em dia, atas, lucros distribuídos com documento, declarações da empresa e dos sócios, e revisão das regras sempre que vier lei nova.
O que acontece com a holding familiar quando um dos pais morre?
Depende do que já foi doado. As quotas doadas em vida não entram no inventário: com a morte do usufrutuário, o usufruto se extingue e os filhos passam a ter a propriedade plena das quotas. As quotas que ainda estiverem no nome do falecido entram no inventário como qualquer bem, e o ITCMD incide sobre elas.
O contrato social precisa dizer o que acontece nesse momento: se os herdeiros entram como sócios ou se recebem o valor das quotas. Sem cláusula própria, o Código Civil manda liquidar a quota do sócio que morreu, salvo se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade ou acertarem a substituição com os herdeiros (art. 1.028, II e III). É por isso que a cláusula de sucessão se escreve no primeiro dia, e não depois.
O que levar à primeira conversa
- relação de bens com o valor da declaração de imposto de renda e uma estimativa de mercado;
- matrículas dos imóveis e carnês de IPTU ou ITR;
- contratos de aluguel e valores recebidos por mês;
- contratos sociais das empresas da família;
- dívidas e processos em andamento em nome de qualquer membro;
- regime de bens do casal e lista de herdeiros;
- o que a família quer: quem administra, quem recebe o quê, o que não pode ser vendido.
Com isso dá para fazer a simulação e dizer, com números, se a holding vale para essa família ou se outro instrumento resolve melhor. A área tributária do escritório, conduzida pelo Dr. Edelcio Smargiassi (Doutor em Direito), atende pela página tributário para pessoa física e pela página geral tributário.
Fontes oficiais
- Constituição, art. 155, § 1º, II e VI, e ADCT, arts. 125 a 129, na redação da EC 132/2023
- Código Tributário Nacional, arts. 35 a 38 (redação da LC 227/2026), 116, parágrafo único, e 185
- Lei Complementar 227/2026 (normas gerais do ITCMD, art. 154, e do ITBI)
- Emenda Constitucional 42/2003 (Constituição, art. 150, III, c, e § 1º)
- Lei Complementar 214/2025, arts. 3º, 4º e 11
- Lei Complementar 224/2025, art. 4º
- Lei Complementar 118/2005 (CTN, art. 185)
- Lei 9.249/1995, arts. 3º, 15, 20 e 23
- Lei 13.259/2016 (art. 21 da Lei 8.981/1995, ganho de capital)
- Lei 15.270/2025 (dividendos e tributação mínima do IRPF)
- Lei 7.689/1988, art. 3º (CSLL)
- Lei 9.715/1998, art. 8º (PIS)
- Lei 9.718/1998, art. 8º (Cofins)
- Lei 8.934/1994, art. 64
- Código Civil, arts. 50, 83, 158, 159, 167, 544, 549, 1.028 e 1.846
- STF, Tema 796 da repercussão geral (RE 796.376)
- STF, Tema 1.348 da repercussão geral (RE 1.495.108), em julgamento
- Receita Federal, tabelas do IRPF 2026
- Receita Federal, Entenda a reforma tributária do consumo
- SEF/MG, Lei 14.941/2003 (ITCD), arts. 5º, 10 e 11
- ALMG, PL 2.881/2024 (tramitação)
Leis, tabelas e páginas oficiais conferidas em 08/10/2026. O art. 154 da LC 227/2026 e os dados do STF (Temas 796 e 1.348) foram conferidos em fontes secundárias, porque as páginas oficiais não abriram por inteiro.
Sobre o autor
Edelcio Smargiassi
Advogado Tributarista · OAB/MG 154.574
Doutor em Direito (UMSA), OAB/MG 154.574. Atua em Direito Tributário: execução fiscal, auto de infração, ICMS e planejamento tributário.
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