História
São Luís é a única capital brasileira fundada por franceses. Em 8 de setembro de 1612, Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière, estabeleceu na Ilha de Upaon-Açu o Forte de Saint-Louis em homenagem ao rei Luís XIII, então menino de oito anos — episódio que ficou conhecido como França Equinocial. A presença gaulesa durou apenas três anos: a Batalha de Guaxenduba, em novembro de 1614, e a rendição francesa em 4 de novembro de 1615 entregaram a cidade aos portugueses sob o comando de Jerônimo de Albuquerque e Diogo de Campos Moreno. Em consagração à vitória, Nossa Senhora da Vitória tornou-se padroeira da cidade — devoção centenária consagrada na Catedral da Sé. Entre 1641 e 1644, a cidade viveu novo ciclo de ocupação estrangeira, desta vez pelos holandeses da WIC, em meio à Guerra do Brasil contra a Espanha; a resistência liderada por Antônio Muniz Barreiros e Pires da Cunha recuperou São Luís em fevereiro de 1644. Nos séculos XVIII e XIX, a cidade se enriqueceu com o ciclo do algodão — chegou a ser o quarto maior porto exportador do produto no mundo entre 1780 e 1850, abastecendo a Revolução Industrial inglesa. Os recursos foram aplicados na construção do que hoje é o maior acervo urbano de azulejaria portuguesa do mundo: cerca de três mil casarões coloniais, fachadas inteiras revestidas em técnica importada diretamente de Portugal. A intensidade da vida cultural e literária no período rendeu à cidade a alcunha de Atenas Brasileira — São Luís formou quatro dos quarenta fundadores da Academia Brasileira de Letras, mais que qualquer outra cidade do Norte e do Nordeste: Aluísio Azevedo, Artur Azevedo, Coelho Neto e Graça Aranha (este último de Alcântara, no entorno cultural ludovicense). A adesão à Independência só veio em 28 de julho de 1823, mediante o cerco da esquadra de Lord Cochrane — última província a aderir. Logo em seguida, entre 1838 e 1841, o Maranhão foi palco da Balaiada, sob lideranças de Manoel Francisco dos Anjos Ferreira e do quilombola Cosme Bento; a repressão coube a Luís Alves de Lima e Silva, então coronel, feito Barão e depois Duque de Caxias precisamente por essa campanha. O século XX consolidou o longo domínio das famílias Sarney e Vitorino Freire na política maranhense — José Sarney governou o estado, presidiu o Senado e foi presidente da República (1985-1990); Roseana Sarney governou o MA por três mandatos; ambos têm São Luís como base política. A hegemonia foi rompida em 2014 com Flávio Dino (PCdoB), seguido por Carlos Brandão (PSB) em 2022. Em 6 de dezembro de 1997, o Centro Histórico de São Luís foi inscrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO — única capital brasileira com reconhecimento integral do conjunto urbano colonial. Em 2019, o Bumba-meu-boi do Maranhão, do qual São Luís é o epicentro, foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade. E em 31 de março de 2026, a cidade conheceu novo marco: a posse de Esmênia Miranda Ferreira da Silva como prefeita, sucedendo Eduardo Braide, que renunciou para disputar o Governo do Maranhão — Esmênia é a quarta mulher a comandar a Prefeitura e a segunda mulher negra a ocupar o cargo, em uma cidade cuja população é majoritariamente afro-pardas (73,4% somando pretos e pardos no Censo 2022).