História
Petrópolis nasceu por decreto imperial. Em 16 de março de 1843, D. Pedro II assinou o Decreto nº 155, criando a Imperial Fazenda da Concórdia e prevendo a construção de seu palácio de verão na Fazenda do Córrego Seco, que havia sido comprada por seu pai D. Pedro I em 1830 e herdada pelo então jovem imperador. O Major Júlio Frederico Köeler foi designado para elaborar o plano urbanístico da cidade — projeto de visão arrojada e ecológica, com ruas alinhadas aos rios e afastamentos para preservar a natureza.
A partir de 1845, imigrantes alemães vieram colonizar a região a convite do Major Köeler e com o apoio do imperador, que ficou conhecido entre eles como "Unser Kaiser" (Nosso Imperador). A colonização germânica deixou marcas profundas na cidade — na arquitetura, na culinária, no trabalho industrial e na tradição cervejeira.
Em 29 de setembro de 1857, Petrópolis foi elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 961. O Palácio Imperial (atual Museu Imperial) foi construído entre 1845 e 1862, em estilo neoclássico. A cidade tornou-se literalmente a capital de verão do Império — durante meses, todo o aparato imperial se transferia para a serra fugindo do calor e das epidemias do Rio de Janeiro. A nobreza imperial e a alta burguesia construíram suas residências de veraneio aqui, dando origem aos palacetes que ainda hoje marcam o centro histórico.
Com a Proclamação da República em 1889, Petrópolis perdeu o status imperial mas manteve seu prestígio. A cidade industrializou-se cedo — a Cervejaria Bohemia, fundada em 1853 pelo imigrante alemão Henrique Leiden, foi a primeira cervejaria do Brasil. No século XX, Petrópolis consolidou-se como polo têxtil (especialmente em moda íntima) e centro turístico-cultural. Em 1944, foi inaugurado o Palácio Quitandinha, o maior cassino-hotel da América Latina (Joaquim Rolla, arquitetos Luis Fossati e Alfredo Baeta Neves, decoração de Dorothy Draper).
No século XXI, Petrópolis vive duas faces: a do desenvolvimento (LNCC/MCTI desde 1998, indústria diversificada, turismo crescente, Bauernfest atraindo milhares anualmente) e a da tragédia climática. Em 15 de fevereiro de 2022, chuvas torrenciais causaram 775 deslizamentos em 24 horas, deixando 241 mortos — a maior catástrofe da história da cidade, superando a de 1988 (171 vítimas). O Morro da Oficina concentrou 233 das mortes. As perdas econômicas foram estimadas em R$ 665 milhões (2% do PIB municipal).
Em 2024, Hingo Hammes (PP), ex-vereador por dois mandatos, foi eleito prefeito em segundo turno com 74,74% dos votos válidos, derrotando Yuri Moura (PSOL). A Câmara, com 15 vereadores, é presidida por Júnior Coruja (PSD), reeleito quase por unanimidade no início de 2025.