História
A história de Maria da Fé — uma mulher de fé, ferro e altitude
A história de Maria da Fé tem como núcleo simbólico uma mulher: Maria de Vilas Boas Machado, apelidada "Maria da Fé" por sua rara energia. Casada em Cristina em 1803 com Joaquim Rodrigues, era natural de Aiuruoca, filha do Capitão Miguel Francisco Diniz. Faleceu cerca de 1875 e foi sepultada em Delfim Moreira (antiga sede paroquial de Itajubá). Sua memória foi reconstruída pelo Mons. João Aristides de Oliveira em "A Diocese de Pouso Alegre no ano jubilar de 1950", que pesquisou pessoalmente os livros paroquiais de Delfim Moreira por concessão do Arcebispo Dom José D'Angelo Neto.
A formação do povoado
Os primeiros povoadores chegaram a partir de 1778 (primeira referência documental nos registros eclesiásticos). João Carneiro Santiago e José Corrêa de Carvalho, oriundos da Vila de Cristina, foram referenciais iniciais. Em 27/06/1859, Campos de Maria da Fé torna-se oficialmente reconhecido como povoado.
A ESTAÇÃO FERROVIÁRIA — matriz da vila
Em 27 de junho de 1891, foi inaugurada a Estação Ferroviária de Maria da Fé, eixo transformador. A estação, com o nome da emblemática Dona Maria da Fé, foi a matriz geradora da Vila de Campos de Maria da Fé. Com a linha férrea, surgiram escolas, igrejas e pontos comerciais. A vida cotidiana mudou significativamente pela conexão ferroviária com o restante do Sul de MG e com São Paulo.
A emancipação política
- 1908 — Criação da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes
(núcleo religioso autônomo)
- 30/08/1911 — Lei nº 566 emancipa o Distrito, que
passa a município com o nome de "CAMPOS DE MARIA DA FÉ"
- 01/06/1912 — Elevação à categoria de CIDADE
(aniversário oficial do município)
A cultura musical paroquial — Pe. Juca
Em 1957, o Pe. Juca assume como primeiro pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes (1957-1970). Percebendo a musicalidade do povo mariense, incentivou a formação:
- Lira Nossa Senhora de Lourdes (banda masculina)
- Corporação Musical Feminina Santa Cecília
Ambas as agremiações foram criadas para acompanhar a Procissão do Encontro e chegaram a gravar disco no Rádio Nacional do Rio de Janeiro — projeção nacional da cultura musical mariense. Pe. Juca também encabeçou a construção do Ginásio Nossa Senhora de Lourdes (hoje escola estadual), do qual foi diretor e professor.
Pe. Anchieta e a Teologia da Libertação (1970-1982)
O Pe. Anchieta (paroquiato de 1970 a 1982) é lembrado pela atuação social no auge da Teologia da Libertação: trabalhos com pobres e idosos, união com os vicentinos para criar a Festa de Agosto, evento filantrópico que perdura até hoje.
A trajetória política recente
Em 06/10/2024, Adilson dos Santos (PSDB, urna 45) (2025-2028). Vice: "Boy" (UNIÃO). Coligação "Maria da Fé Nos Trilhos" — nome simbólico vinculado ao projeto de revitalização da antiga linha férrea, eixo identitário central do município. Posse em 01/01/2025.
Vinculação institucional contemporânea
Maria da Fé NÃO tem Comarca própria — é jurisdicionada pela Comarca de Itajubá (cód. 0324), sede regional do Sul de MG (Mantiqueira), a 22 km. A 2ª entrância itajubense conta com 4 varas (3 cíveis + 1 criminal/ECA) + 1 Unidade do Juizado Especial. Estende jurisdição a Maria da Fé, Delfim Moreira, Marmelópolis, Piranguçu e Wenceslau Braz.
A revitalização da ferrovia (2025)
Em janeiro de 2025, o prefeito Adilson se reuniu com o prefeito Paulo Sérgio (São José do Alegre) para tratar do fortalecimento do turismo regional e da revitalização da antiga linha férrea. O eixo ferroviário, que originou o município em 1891, volta ao centro do projeto político-econômico mariense.