História
A história de Andrelândia — do "Turvo" pré-histórico
à Terra de André
A história de Andrelândia é DUPLA: uma trajetória PRÉ-HISTÓRICA e uma trajetória colonial-imperial-republicana (correspondendo ao período da colonização europeia).
A ancestralidade pré-histórica (3.000+ anos)
Andrelândia é a ÚNICA cidade dos 853 municípios mineiros que identifica sua ancestralidade pré-histórica como origem. No Parque Arqueológico da Serra de Santo Antônio, situado a 6 km da sede, encontram-se mais de 500-650 pinturas rupestres em paredão de 50 metros — figuras geométricas e zoomorfas nas cores vermelho, amarelo e branco, com datação Carbono-14 superior a 3.000 anos, representantes da Tradição São Francisco (primeira ocorrência no Sul de MG). Local conhecido como "Toca do Índio". As populações indígenas viviam aos milhares em grandes aldeias, dizimadas durante o ciclo do ouro.
A fundação setecentista (1749-1755)
Em 1749, André da Silveira, sua mulher e Manoel Caetano da Costa requereram ao bispo de Mariana, Dom Frei Manoel da Cruz, licença para erigir capela de Nossa Senhora do Porto Turvo no lugar Turvo Grande e Pequeno (o nome decorre dos cursos d'água, mais ou menos turvos, que atravessam o local), pertencente à freguesia de Aiuruoca. A capela foi construída em terras doadas por André da Silveira.
Em 1819, o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire passou pela região no Caminho histórico Pati do Alferes → Paraíba do Sul → Valença → Rio Preto → Bom Jardim → Turvo → Madre de Deus → Santo Antônio do Rio das Mortes Pequeno → São João del-Rei (sede da antiga Comarca do Rio das Mortes).
Da freguesia ao município (1832-1868)
- 14/07/1832 — Decreto cria o distrito "Nossa
Senhora do Porto do Turvo"
- 1833 — Criada a freguesia de Nossa Senhora
do Porto
- 1834 — Padre Francisco José de Souza Monteiro
como vigário
- 1835 — Construção do Sobrado do Barão do Cabo
Verde por Antônio Belfort de Arantes
- 27/07/1864 — Lei Provincial nº 1191 —
elevação a vila "Vila Bela do Turvo" com cinco distritos: Turvo, Arantes, Bom Jardim, Madre de Deus do Rio Grande, São Vicente Ferrer
- 1864 — Construção da Casa de Câmara e Cadeia
por Antônio Belfort de Arantes (Barão do Cabo Verde) e seu filho Antônio Belfort Ribeiro de Arantes (Barão de Arantes) — quantia superior a 10.000 Cr$
- 21/10/1866 — Elevada a município
- 28/07/1868 — Lei Provincial nº 1518 —
denominação Turvo (depois "Cidade do Turvo")
A trajetória da Comarca (1870-2008)
- 1873 — Sob jurisdição da Comarca de Barbacena
- 1876 — Transferência para a Comarca de Rio
Preto
- Década de 1870 — Criada a Comarca do Bom
Jardim (termos de Turvo e Aiuruoca)
- 1891 — Renomeada Comarca do Turvo (Primeira
Entrância)
- 1903 — Comarca SUPRIMIDA; Termo do Turvo
passa à Comarca de Aiuruoca
- 1915 — Restauração (Comarca de Aiuruoca em
Primeira Entrância)
- 19/09/1930 — Lei Estadual nº 1.160 —
denominação ANDRELÂNDIA em homenagem a André da Silveira (fundador); parte do movimento republicano de secularização do Estado
- 1948 — Jurisdição da Comarca: Andrelândia, Bom
Jardim de Minas, Carrancas, Francisco Sales
- 1970 — Ampliada com Arantina; Piedade do
Rio Grande para Barbacena; Minduri para Cruzília
- 2001 — Decreto Municipal nº 014/2001 tomba
o Sítio Arqueológico da Serra do Santo Antônio
- 2008 — Classificação como PRIMEIRA ENTRÂNCIA
(atual configuração), abrangendo 6 municípios: Andrelândia, Arantina, Bom Jardim de Minas, Carrancas, Madre de Deus de Minas e São Vicente de Minas
A trajetória política recente
Em 06/10/2024, Francisco Reginaldo Nogueira ("Reginaldo da Areia", PSD) foi eleito prefeito com 53,22% dos votos (3.934 votos) — vitória expressiva no primeiro turno contra três concorrentes (Samuel-PP 28,23%; Paulo César-PT 12,64%; Adriano Ganso-PRD 5,91%). Mandato 2025-2028.
O fenômeno da diáspora distrital
Os cinco distritos originais de 1864 TODOS se emanciparam ao longo da história, restando apenas a sede (Andrelândia) como único distrito atual. Fenômeno raro, demonstra a centralidade regional histórica do antigo "Turvo".