História
Abaetetuba é uma das cidades mais antigas do Pará. Suas origens remontam a 1635, quando frades capuchinhos vindos do convento de Una em Belém uniram-se a uma aldeia indígena nômade chamada "Samaúma". O Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado batizou a localidade de Beja — que hoje é o segundo distrito do município, preservando a memória do assentamento originário. A sede atual do município, Abaetetuba, desenvolveu-se ao longo do século XIX como entreposto comercial da margem direita da foz do Tocantins. Em 27/08/1880, pela Lei nº 973, foi emancipada de Belém como município autônomo sob o nome de "Abaeté" — do Tupi: "abá" (homem) + "eté" (verdadeiro). Em 1895, a Lei estadual nº 324 elevou a localidade à categoria de CIDADE. Em 30 de dezembro de 1943, o Decreto-Lei nº 4.505 alterou o nome para "Abaetetuba" — acréscimo do sufixo Tupi "tyba" (grupo), resultando no significado completo "grupo dos homens verdadeiros". A mudança fazia parte de uma onda nacional de modernização de topônimos durante o Estado Novo, com ênfase na valorização da cultura indígena. No século XX, a cidade consolidou-se como CENTRO DO BAIXO TOCANTINS, combinando três vetores: (a) a economia ribeirinha (pesca, açaí, manga, coco, miriti); (b) a tradição artesanal do miriti (brinquedos que vieram a se tornar símbolo nacional); (c) a proximidade com o Polo Industrial de Vila dos Cabanos (Barcarena), a 30 km — ALBRÁS (alumínio, desde 1985) e ALUNORTE (alumina, desde 1995), bem como Hydro e outras multinacionais. Em 1987, a Universidade Federal do Pará implantou seu Campus em Abaetetuba — o Campus Universitário da Amazônia Tocantina (CUBT), que celebrou quase 40 anos em 2026 e atende comunidade estendida de mais de 60 mil pessoas, democratizando ensino superior para ribeirinhos e populações do Baixo Tocantins. A política abaetetubense é marcada por dinastias: Francisco Maués Carvalho ("Chico Narrina"), prefeito em 1992 e 2000, é pai da atual prefeita Francineti Carvalho, que já foi prefeita em 2008 e 2012 (pelo PSDB) e retornou ao Executivo em 2020 (PSDB), reeleita em 2024 (MDB) com a margem mais apertada da história local: apenas 32 votos sobre o adversário Adamor Bitencourt (PP).