História
Bragança é uma das cidades MAIS ANTIGAS do Norte brasileiro. Sua fundação, em 8 de julho de 1613, é ANTERIOR à de Belém (1616), fato que faz dela um dos núcleos de colonização portuguesa mais precoces na Amazônia. O capitão-mor ÁLVARO DE SOUSA GURJÃO fundou o posto militar no estuário do Rio Caeté. A localização era estratégica: o litoral do Salgado formava a linha de fronteira portuguesa contra franceses e holandeses que disputavam a foz do Amazonas. A localidade foi nomeada "SOUSA DO CAETÉ" (em homenagem ao fundador e ao rio). Em 1622, foi elevada a vila. Em 1753, o nome mudou para "BRAGANÇA" — homenagem à DINASTIA DE BRAGANÇA, casa real portuguesa que ascendeu ao trono em 1640 com D. João IV (evento conhecido como "Restauração da Independência de Portugal"). A troca de nome reflete a política luso- brasileira de afirmação da soberania portuguesa. Durante o século XVIII e XIX, Bragança desenvolveu economia diversificada — pesca, agricultura (mandioca, pimenta), comércio marítimo. Foi porto de exportação regional. No final do século XIX, Bragança recebeu uma das obras mais transformadoras da Amazônia brasileira: a ESTRADA DE FERRO DE BRAGANÇA, construída entre 1884 e 1908, ligando Belém a Bragança por aproximadamente 300 km. Era a PRIMEIRA FERROVIA DA AMAZÔNIA BRASILEIRA. A ferrovia trouxe desenvolvimento, atraiu migrantes europeus (italianos, portugueses, espanhóis, japoneses), fortaleceu a economia regional e facilitou a exportação de produtos agrícolas (mandioca, pimenta, arroz). Tragicamente, a ferrovia foi DESATIVADA EM 1965, no governo Castelo Branco, numa política nacional de desmantelamento de ferrovias não rentáveis. Hoje remanescem estações abandonadas como patrimônio histórico em Bragança e outras cidades do antigo trajeto. Na cultura, Bragança se notabiliza pela MARUJADA DE SÃO BENEDITO — festival religioso-cultural que remonta ao final do século XVIII, em 2025 na 227ª edição, reunindo cerca de 150.000 pessoas na procissão principal. Reconhecida como PATRIMÔNIO CULTURAL DO BRASIL pelo IPHAN, a Marujada combina devoção católica, tradições afro-brasileiras e indígenas em celebração singular. Nas eleições de 2024, Mário Júnior foi eleito prefeito para o mandato 2025-2028.