História
A história de União da Vitória começa num lugar raso do rio. Em 12 de abril de 1842, procurando encurtar o caminho entre Palmas e Palmeira para a passagem das tropas de gado, Pedro Siqueira Cortes encontrou no Iguaçu um vau, e ali se fixou o povoado de Porto União — que em 1855 passou a Porto União da Vitória e em 1877 a Freguesia de União da Vitória. A freguesia veio pela Lei Provincial nº 615, de 22 de abril de 1880, subordinada a Palmas; o município, pelo Decreto Estadual nº 54, de 27 de março de 1890, desmembrado de Palmas e instalado em 4 de maio; a condição de cidade e a comarca, ambas pela Lei estadual nº 744, de 11 de março de 1908. Em 1881 começou a navegação a vapor no Iguaçu e chegaram os primeiros colonos europeus — alemães, poloneses, ucranianos, austríacos, russos e, no século XX, libaneses. O corte veio da guerra. Registra o próprio Tribunal de Justiça do Paraná que, em decorrência da Guerra do Contestado (1912-1916), o tratado de limites desmembrou a cidade em duas: Porto União ficou com Santa Catarina e União da Vitória continuou paranaense. O verbete do IBGE sobre a cidade catarinense fecha o raciocínio: Porto União foi elevado a município pela Lei estadual catarinense nº 1.147, de 25 de agosto de 1917, "desmembrado do município de Porto União da Vitória". Um município de nome comprido foi cortado ao meio e cada metade ficou com um pedaço do nome. E impressiona o silêncio: o histórico oficial do IBGE sobre União da Vitória detalha dezenas de criações e transferências de distritos entre 1918 e 1964 e não menciona a perda de território para Santa Catarina em 1917.