História
A história de Bueno Brandão — Cidade das Cachoeiras
e dos cinco nomes
A história de Bueno Brandão é peculiar por sua trajetória de CINCO NOMES ao longo do tempo, refletindo diferentes momentos de sua formação: religiosa (Bom Jesus da Pedra Fria), geográfica (Antas/Zantas, do Ribeirão das Antas), poética-mística (Campo Místico, sugerido por frei italiano em 1842/1850), eclesiástica (Bom Jesus do Campo Místico) e cívica (Bueno Brandão, em homenagem ao ex-governador desde 1938).
A pré-fundação setecentista (1800)
Em 1800, Patrício José Joaquim de Miranda, comerciante português, chegou à região e trouxe consigo uma imagem de madeira do Senhor Bom Jesus (séc. XVIII, feita em Portugal). Encantado com a beleza do lugar, Patrício instalou um oratório ao lado de sua casa e começou a divulgar a devoção ao Bom Jesus, já difundida em Portugal. Com o tempo, passou a fazer festas em sua homenagem no dia 06 de agosto, Dia da Transfiguração do Senhor.
O povoado ficou conhecido como "Senhor Bom Jesus da Pedra Fria do Ribeirão das Antas" — a "Pedra Fria" refere-se a uma pedra de passagem obrigatória aos que chegavam à localidade. Patrício José Joaquim é considerado o FUNDADOR de Bueno Brandão por ser o precursor da primeira capelinha do povoado.
A doação da Fazenda Ribeirão das Antas (1820)
Em 1820, Patrício e os outros co-proprietários da Fazenda Ribeirão das Antas doaram parte de suas terras ao orago do povoado (padroeiro, Senhor Bom Jesus da Pedra Fria), formando o patrimônio para a capela. Foi quando o povoado das Antas, ainda esparso, começou a prosperar.
Os desbravadores banidos do Império (1822)
No ano da Independência (1822), portugueses residentes na corte do Rio de Janeiro que NÃO aderiram ao recém-fundado Império foram banidos para os "Sertões". Vieram à região:
- Capitão Felipe Amaral
- Capitão Antônio Nunes Brigagão
- Coronel Agostinho
Fixaram residência nas margens do Ribeirão das Antas, ampliando o povoado. Episódio histórico raro de banimento político imperial.
O Frei Eugênio Maria de Gênova e o "Campo Místico"
(1842-1850)
Em 1842, a Cúria Católica de São Paulo enviou frades franciscanos ao povoado para realizar Santas Missões. Um deles, Frei Eugênio Maria de Gênova (italiano, natural de Gênova), encarregado de relatar à Cúria, encontrou-se com um local cercado por montanhas e vales, casebres simples e clima ameno — sugerindo o nome "Campo Místico", aludindo à beleza natural.
A criação do distrito e da paróquia (1850)
- 01/06/1850 — Lei Provincial nº 471 elevou a
localidade à categoria de DISTRITO de Pouso Alegre, com o nome de "Campo Místico"
- 21/12/1850 — A PARÓQUIA Senhor Bom Jesus do
Campo Místico foi fundada com aprovação eclesiástica do Bispo de São Paulo Dom Antônio Joaquim de Melo. Pe. João José de Almeida foi o primeiro pároco (1850-1851)
A trajetória administrativa (1864-1938)
- 23/07/1864 — Lei Provincial nº 1.190 —
Campo Místico passou a JAGUARI (atual Camanducaia)
- 04/11/1880 — Lei Provincial nº 2.658 —
Campo Místico passou a OURO FINO
- 1899 — INAUGURAÇÃO da IGREJA MATRIZ do Senhor
Bom Jesus (Patrimônio Cultural de Bueno Brandão)
- 1908 — Capitão Eduardo Carneiro doou a 3ª
e atual imagem do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria (sobre o altar-mor)
- 1924 — Energia elétrica chega à Matriz
(administração do Pe. Theóphilo Jazedé)
- 1931 — Capelão João da Silva Brito chega a
pedido da população
A emancipação como Bueno Brandão (1938)
Após anos de articulação política — fazendeiros e cafeicultores viajavam de Bueno Brandão a Ouro Fino e Belo Horizonte —, o distrito conseguiu a emancipação:
- 17/12/1938 — DECRETO ESTADUAL Nº 148 —
EMANCIPAÇÃO como BUENO BRANDÃO, desmembrado de Ouro Fino
O topônimo foi escolhido pelo então governador Benedito Valadares em homenagem a JÚLIO BUENO BRANDÃO — político ourofinense (de Ouro Fino), Ex- Senador e Ex-Presidente do Estado de Minas Gerais.
Os anos 1962 e o plebiscito frustrado
Em 1962, ocorreu a controversa REFORMA da Igreja Matriz — em vez de restaurar, reformou-se, retirando altares, retábulos, órgão, paramentos litúrgicos, púlpitos e bens patrimoniais (perda significativa).
Anos depois, um prefeito realizou PLEBISCITO tentando retornar o nome para "Campo Místico", mas a população optou por manter "BUENO BRANDÃO".
A trajetória política recente
Em 06/10/2024, Lourival Cavini Júnior ("Juninho Cavini", UNIÃO) foi eleito prefeito com 61,49% dos votos (3.880 votos) — vitória expressiva no primeiro turno contra Marcos Martins Perninha (AGIR, 21,19%) e Danilo Amâncio (NOVO, 17,32%). Mandato 2025-2028.