História
Da fronteira de Caldas à cidade do Carmo nas alturas
A história de Campestre começa nos primórdios da colonização brasileira, com a penetração de bandeirantes paulistas pelo Planalto de Poços de Caldas em busca de ouro e novas terras. O sítio onde hoje se assenta a sede municipal era originalmente uma área de campo, entre as matas — daí o topônimo "Campestre", que designa a paisagem aberta entre a Mata Atlântica que então cobria a região.
Ao longo do século XIX, o local tornou-se ponto de passagem de romeiros que se dirigiam a Aparecida do Norte ou de viandantes que iam para Campanha (Minas Gerais) — antiga comarca de referência do Sul de Minas. Surgiram ranchos onde faziam pouso, e moradores foram sendo atraídos ao local, principalmente portugueses. A exploração da lavoura constituiu- se na principal atividade econômica local. Com trabalho escravizado, foram criadas as primeiras plantações, construídas as primeiras moradias e a cadeia.
A fundação da Capela do Carmo (1830) — herança Muniz
Em 1830, em terras doadas pelos irmãos Francisco José Muniz e Manoel José Muniz, foram construídos o cemitério e uma capela em louvor a Nossa Senhora do Carmo. Este é o ato fundacional simbólico de Campestre — não por acaso, o sobrenome MUNIZ atravessa quase dois séculos: em 2024, a professora Eliana Maria MUNIZ foi eleita como a primeira prefeita da história do município. Continuidade rara entre fundadores históricos e governantes contemporâneos.
Marcos institucionais do município
- Lei Provincial 184, de 03/04/1840 — criação do distrito
com a denominação de Nossa Senhora do Carmo de Campestre, vinculado ao município de Caldas
- Lei Estadual 2, de 14/09/1891 — confirmada a criação do
distrito no período republicano
- Lei Estadual 556, de 30/08/1911 — elevação a município,
por desmembramento de Caldas; data que se tornou aniversário oficial (30 de agosto)
- 01/06/1912 — criação do distrito-sede
- Lei Estadual 843, de 07/09/1923 — o distrito-sede,
denominado "Nossa Senhora do Carmo do Campestre", passou a chamar-se simplesmente "Campestre"
- Lei 336, de 27/12/1948 — Campestre ganhou o distrito de
Bandeira (depois renomeado Bandeira do Sul, pela Lei 1.039)
- Décadas posteriores — Bandeira do Sul emancipou-se,
tornando-se município autônomo
A Igreja Matriz contemporânea (1939-1942)
A capela primitiva de 1830, por problemas em sua estrutura, foi demolida na década de 1930. Em 1939, por iniciativa do Padre Cônego Arthur Occhiuzzo, iniciaram-se as obras da atual Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, inaugurada em 25/01/1942 com edificação imponente e torre de 37 metros de altura. Entre 1946-1948, foram realizadas as pinturas internas pelo artista Alberto Ferrante, representando diversas cenas bíblicas: o Encontro de Jesus com a Samaritana no poço de Jacó, a Mulher Adúltera, a Santa Ceia, Jesus com Nicodemos, dentre outras. Hoje, a Paróquia agrega 27 comunidades rurais e 7 capelas urbanas, vinculada à DIOCESE DE GUAXUPÉ — mesma diocese da cidade-Guaxupé.
A trajetória política recente
Campestre viveu eleições suplementares em junho de 2021, quando Marco Antônio Franco foi eleito para mandato curto preenchendo vacância — episódio que indica instabilidade política recente. No ciclo seguinte, em 06/10/2024, Eliana Maria Muniz ("Eliana Muniz Irmã do Zetinho") foi eleita prefeita pelo UNIÃO (urna 44), com 56,77% dos votos válidos, em primeiro turno, em coligação "Nossas Obras Falam Por Nós!" (PP/PSD/UNIÃO/Federação PSDB-Cidadania). Tornou-se a primeira prefeita eleita da história do município — marco simbólico relevante. Seus adversários foram o Professor João Leandro (PSB, 38,93%) e a Professora Rosimar Prado (PT, 4,3%).
Identidade campestrense contemporânea
Hoje (2026), Campestre é cidade do Planalto de Poços de Caldas, com 21.155 habitantes, 577,843 km² de área (uma das maiores do Sul de MG), economia agropecuária (café arábica de altitude, pecuária leiteira) e situação fiscal saudável — superávit de R$ 18,7 milhões em 2024 (cerca de 16% das receitas). A Comarca de Vara Única, sob a direção do Juiz Valderí de Andrade Silveira (034º JDS) desde 09/12/2019, atende às demandas jurídicas locais com estrutura concentrada.