História
A história de Campo Belo é singular dentro do panorama do Centro-Oeste de Minas Gerais por sua tripla ancoragem étnica e por suas transformações administrativas. A região foi originalmente refúgio dos índios Cataguases, da tribo Tupi, que para lá fugiram por volta de 1600 para escapar da perseguição bandeirante de Lourenço Castanho Jacques, o Velho. Os Cataguases foram parte da ocupação primária da área e deixaram traços toponímicos e arqueológicos (pedaços de panelas de barro foram encontrados em Porto Mendes, sugerindo aldeamentos).
A partir de 1726, com a perseguição quase completa aos Cataguases, a região passou a abrigar negros fugitivos da escravidão. Esses negros uniram-se sob a liderança de Ambrósio Rei na formação do Quilombo do Ambrósio — historiograficamente reconhecido como o maior e mais duradouro quilombo de Minas Gerais, que teria contado com cerca de 15.552 negros e 2.592 casas. O centro do quilombo localizava-se provavelmente em Meia Laranja, hoje no município de Cristais (que pertenceu a Campo Belo até 1850 e mais tarde voltou a integrar a Comarca). Em 1743, milícia armada da Coroa Portuguesa parcialmente exterminou o quilombo. Sobreviventes — tanto Cataguases quanto negros — passaram a conviver de forma surpreendentemente amistosa.
A formação étnica continuou no fim do século XIX e início do XX: italianos chegaram a partir de 1888 (após a abolição) para trabalhar nas lavouras de café, e libaneses a partir de 1890 para a atividade comercial. Essa pluralidade étnica forjou a identidade contemporânea do município.
Administrativamente, o povoado inicial foi denominado "Ribeirão São João", em razão do ribeirão local. A denominação oficial "Senhor Bom Jesus de Campo Belo" foi institucionalizada pelo Alvará de 24 de setembro de 1818 (criação do Distrito). A elevação a Vila ocorreu em 09 de outubro de 1848 (Lei Provincial 373), mas a Vila foi extinta em 1850 e anexada a Tamanduá (atual Itapecerica). Reinstalada em 1878 ou 1879, Campo Belo foi elevada à categoria de Cidade em 23 de setembro de 1884 (Lei Provincial 3.196), com o nome simplificado para "Campo Belo".
No final do século XIX, o município ainda compreendia 5 distritos (Campo Belo, Candeias, Cristais, Cana Verde e Porto Mendes), estrutura que foi progressivamente desmembrada — Candeias, Cristais e Cana Verde tornaram-se municípios independentes (Cana Verde foi transferida para Perdões em 1923). Atualmente, Cristais e Aguanil integram a Comarca de Campo Belo (TJMG e 64ª ZE).