História
Das Águas do Pouso à Estância Imperial — São Lourenço pelos séculos
A história de São Lourenço começa antes do que registra a documentação oficial. Os índios Cataguases percorriam a região, e em 1675 o bandeirante paulista Lourenço Castanho Tazques estabeleceu um pequeno acampamento às margens do que viria a ser conhecido como "Pouso do Lourenço". O topônimo se conservou mesmo após a saída do bandeirante, vinculando-se posteriormente ao santo padroeiro homônimo, São Lourenço Mártir.
Durante todo o século XVIII e início do XIX, a área permaneceu como zona rural pouco habitada, integrante das fazendas das comarcas vizinhas (Aiuruoca, depois Baependi e Pouso Alto). O grande ponto de virada veio na segunda metade do século XIX: o proprietário João Francisco Viana descobriu que de seu solo brotavam águas com propriedades distintas — gasosas, sulfurosas, ferruginosas, alcalinas. Notícias sobre as "Águas Santas do Viana" se espalharam pela região, atraindo viajantes em busca de cura.
O ponto institucional decisivo ocorre em 1890, quando o Comendador Bernardo Saturnino da Veiga — um dos grandes nomes do catolicismo sul-mineiro, articulador da criação da Diocese da Campanha em 1909 — adquire as terras e funda a Companhia de Águas Minerais de São Lourenço, a primeira empresa do município. Em 1892, captou-se a Fonte Oriente (primeira fonte explorada) e, no mesmo ano, ergueu-se a Ermida do Senhor Bom Jesus do Monte, em homenagem ao pai do Comendador, o Coronel Lourenço Xavier da Veiga. Em 10/08/1891 — dia de São Lourenço — celebrou-se a primeira missa nas Águas, autorizando-se a construção daquela capela.
Em 14/09/1891, pela Lei Estadual nº 2, o distrito é criado e vinculado a Silvestre Ferraz (atual Carmo de Minas). Em 07/09/1923, pela Lei Estadual nº 843, o distrito é transferido para Pouso Alto. A emancipação chega em três passos: prefeitura provisória em 01/04/1927 (Decreto Estadual 7.562); e definitiva em 20/09/1927, pela Lei Estadual nº 987, data que se tornou o aniversário do município.
A consolidação da estância hidromineral ocorre na década de 1930, em pleno período da Belle Époque do turismo brasileiro. Sob direção de Francisco de Souza Costa, foi construído o atual Balneário em estilo Art Déco entre 1932 e 1935, projetado pelos arquitetos franceses Henri Sajous e Charles Hébrard. O conjunto foi inaugurado como Parque das Águas em 1936. Em 1935, lançou-se a pedra fundamental da Basílica São Lourenço Mártir — paraninfo de honra: o presidente Getúlio Vargas, acompanhado de sua esposa Darcy Vargas.
Frequentaram a estância presidentes brasileiros (Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek), políticos, artistas, intelectuais e estrangeiros. São Lourenço consolidou-se como um destino imperial-republicano do termalismo nacional. A construção da Basílica avançou: cripta em uso desde 01/08/1936; torre lateral 1939; altar-mor (em Itajubá) 1943; piso em cerâmica vermelha 1947; sagrada por Dom Othom Motta em 30/01/1961. Em 20/09/2016, a Igreja foi elevada à categoria de Basílica Menor pelo decreto da Sagrada Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Em 2006, a Nestlé Waters Brasil doou a Ermida do Senhor Bom Jesus do Monte à Paróquia de São Lourenço Mártir. Em 2012, a Ermida foi tombada pelo município devido a seu valor histórico, cultural e arquitetônico. Em 01/08/2019, a Basílica Menor foi inscrita no Livro de Tombo Histórico Patrimonial do Município.
Hoje (2026), São Lourenço é uma das mais conhecidas Estâncias Hidrominerais do Brasil, integrante do Circuito das Águas de Minas Gerais (14 municípios) e do Caminho Velho da Estrada Real, com o segundo maior parque hoteleiro de Minas Gerais. A cidade vive do turismo, do termalismo, da gastronomia, dos festivais e da comercialização da água mineral envasada pela Minalba Brasil sob a marca São Lourenço — comercializada em todo o país desde 1890.