História
A história de Laranjal do Jari passa por dois personagens desmedidos. O primeiro foi o cearense José Júlio de Andrade, que no início do século XX acumulou no Vale do Jari cerca de 3,5 milhões de hectares — apontado como o maior latifundiário do mundo — explorando borracha e castanha, até vender tudo, em 1948, a um grupo de empresários portugueses. O segundo foi o bilionário norte-americano Daniel Ludwig, que comprou a área em 1967 e montou o Projeto Jari: plantar gmelina em escala industrial para fabricar celulose, com fábrica trazida flutuando da Ásia. O projeto atraiu milhares de trabalhadores; dispensados por empreiteiras sem direitos assegurados, muitos não tinham como voltar e se fixaram em palafitas na beira do rio, em frente a Monte Dourado — o Beiradão, que chegou a ser descrito como a maior favela fluvial do mundo. Foi esse povoado que a Lei nº 7.639, de 17 de dezembro de 1987, transformou em município, desmembrado de Mazagão e instalado em 1º de janeiro de 1989, ainda no Amapá Território.