História
Em 1947, a Indústria e Comércio de Minérios — ICOMI — venceu a disputa pelo direito de explorar o manganês descoberto na serra do Navio, e nas décadas seguintes ergueu na floresta um dos experimentos urbanos mais ousados do Brasil: uma cidade completa, projetada pelo arquiteto Oswaldo Bratke e construída entre 1955 e 1960, com saneamento, água tratada, energia, hospital, escolas e áreas esportivas — a experiência precursora de company town na Amazônia, no registro oficial do Ministério da Cultura. A vila operária tinha periferia, e dela nasceu o povoado agrícola de Água Branca do Amapari. Foi com esse nome, aliás, que o município se emancipou: criado pela Lei Complementar estadual nº 01, de 17 de março de 1992, desmembrado de Macapá e instalado em 1º de janeiro de 1993, só virou oficialmente Serra do Navio pela lei estadual de 22 de junho de 1993. A mineração durou quase cinco décadas; com a desativação da mineradora, a cidade-modelo conheceu o apelido amargo de cidade-fantasma — e começou a segunda vida, entre o patrimônio, o serviço público e as mineradoras menores que permanecem.