História
Icó é um dos pontos de partida da história urbana do Ceará. O arraial da Ribeira dos Icós, formado em torno da capela de Nossa Senhora da Expectação (do Ó) no início do século XVIII, foi elevado à categoria de vila por ordem régia de 20 de outubro de 1736 e instalado em 2 de março de 1738 — a terceira vila do Ceará, depois de Aquiraz e Fortaleza, e a primeira do sertão profundo. A posição explicava tudo: o povoado ficava no cruzamento das rotas de boiadas que ligavam os sertões dos Inhamuns e do Cariri ao litoral e às feiras de Pernambuco, e o comércio de gado e de charque fez de Icó, nos séculos XVIII e XIX, um dos entrepostos mais ricos da capitania. A Lei provincial nº 244, de 25 de outubro de 1842, elevou a vila à condição de cidade. Quando as ferrovias e as novas estradas redesenharam os fluxos econômicos do estado, Icó perdeu a centralidade — e foi justamente essa estagnação que congelou o casario setecentista e oitocentista que hoje é o seu maior patrimônio.