História
Itajubá nasceu da decadência mineradora setecentista. Em 1703-1705, o sertanista paulista Miguel Garcia de Almeida Cunha, partindo de Taubaté, cruzou a Serra da Mantiqueira em busca de ouro e fundou a antiga "Minas Novas de Itagybá" — hoje Delfim Moreira. Quando a mineração entrou em declínio, em 1818 chegou à decadente Soledade de Itagybá o Padre Lourenço da Costa Moreira, vindo de São Paulo. Em 19 de março de 1819, ele transferiu a sede da freguesia para o atual sítio urbano de Itajubá — marco fundacional da cidade. A Lei Provincial nº 355, de 27/09/1848, criou a Vila Boa Vista de Itajubá. Em 04/10/1862, a vila foi elevada à categoria de cidade. O século XIX assistiu à fundação da Loja Maçônica "Deus e Humanidade" (1874), à chegada da Estrada de Ferro Mogiana / Rede Sul Mineira (1886) e à consolidação da elite política local — pivotal na trajetória de Wenceslau Brás Pereira Gomes. Wenceslau Brás (nascido em São Caetano da Vargem Grande — hoje Brasópolis — em 26/02/1868) casou-se em 12/09/1892 com Maria Carneiro Pereira Gomes, filha do chefe político de Itajubá. Iniciou sua carreira como promotor público; foi deputado mineiro, Secretário do Interior de MG (1898-1902), deputado federal (1903), Presidente do Estado de Minas Gerais (1909-1910), Vice-Presidente da República (1910-1914) e, em 15/11/1914, assumiu a Presidência da República — 9º Presidente do Brasil, eleito com 532.107 votos. Seu governo (1914-1918) sancionou o primeiro Código Civil brasileiro (Lei 3.071/1916), declarou guerra ao Eixo Central em 1917, debelou a Guerra do Contestado e adotou austera política financeira diante da redução de exportações durante a 1ª Guerra Mundial. Em 1912 — dois anos antes de assumir a Presidência — Wenceslau Brás fundou em Itajubá a Companhia Industrial Sul-Mineira, estruturando o primeiro grupo industrial sistemático do Sul de Minas: Banco Itajubá, Fábrica de Tecidos Codorna, Cia. Industrial Força e Luz de Itajubá e Rede Sul Mineira (transporte). Retornou à cidade após o mandato presidencial em 1918 e ali viveu até a morte, em 15/05/1966, aos 98 anos — então considerado o último presidente da República Velha vivo. Em paralelo, em 23/11/1913, o advogado Theodomiro Carneiro Santiago — visionário da educação tecnológica — fundou em Itajubá o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá (IEMI), 10ª escola de engenharia do Brasil. Inaugurou o Instituto na presença do Presidente Hermes da Fonseca. O IEMI foi federalizado em 1956, virou EFEI em 1968 e, finalmente, Universidade Federal de Itajubá em 24/04/2002 (Lei 10.435, sancionada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso) — a primeira universidade tecnológica do Brasil. Estas duas trajetórias — Wenceslau Brás (política/indústria) e Theodomiro Santiago (engenharia/educação) — definiram a identidade contemporânea de Itajubá: cidade-polo de engenharia, cidade-berço do Código Civil de 1916, cidade que abriga a Casa Rosada (residência presidencial), o Museu Wenceslau Brás e o 4º Batalhão de Engenharia de Combate (Exército).