História
Pau dos Ferros nasceu de uma árvore e de um rio. Entre o fim do século XVII e o início do XVIII, vaqueiros que cruzavam o sertão descobriram no vale do rio Apodi uma oiticica de sombra descomunal, que virou pouso de viagem e ponto de comércio — no tronco, marcava-se a ferro em brasa o gado negociado, e o "pau dos ferros" deu nome à sesmaria concedida em 1717 a Manoel Negrão e depois passada ao coronel baiano Antônio da Rocha Pita, de cujos herdeiros veio o povoado de casas de taipa. O fazendeiro Francisco Marçal ergueu a capela em 1738, matriz de uma freguesia criada em 19 de dezembro de 1756 sob a proteção de Nossa Senhora da Conceição. Veio então um século de subordinação incômoda à vila serrana de Portalegre, a 33 quilômetros — distância que estrangulava o comércio do vale. A emancipação foi conquistada no grito e na caneta: um abaixo-assinado com 492 assinaturas em 1841, um projeto rejeitado, outro em 1847, também negado, até que o projeto do deputado provincial Bevenuto Vicente Fialho, aprovado em 23 de agosto de 1856, virou a Lei provincial nº 344, de 4 de setembro de 1856, elevando o povoado à vila e desmembrando-o de Portalegre — quase cem anos depois da freguesia.