História
A fundação de Santa Luzia é a história de uma recusa territorial. Em 1949 um vaqueiro chegou ao lugar chamado Pau Santo, então ocupado por indígenas Guajajara, e não foi aceito ali; deslocou-se até o povoado de Batatal, onde o cacique o acolheu e lhe deu terra para plantar. Foi nesse segundo ponto que ergueu o núcleo e o batizou com o nome da santa cuja imagem trazia. Três anos depois chegou um agricultor compadre seu, a lavoura se expandiu e o povoado virou destino de migrantes de todo o país atraídos pela produção de arroz, então a maior reputação econômica do Estado. A área comprada ia de uma dessas referências indígenas à outra: a geografia do município nasceu balizada por aldeia e lugarejo. Em 17 de dezembro de 1959 a Lei estadual nº 1.908 elevou o povoado a município, desmembrando-o de Pindaré-Mirim; a instalação veio em 26 de março de 1961, e desde então o território tem um único distrito. Setenta anos depois daquele primeiro desencontro, a questão territorial indígena voltou ao mapa municipal por outra via — a demarcação federal.