História
A história de Guaíra começa antes do Brasil chegar ali. Em 1525 o aventureiro Aleixo Garcia atravessou a região pelo Peabiru, o caminho indígena que unia o Atlântico ao Pacífico, e deu nome às cataratas do rio Paraná. Em 1554 os espanhóis fundaram Ciudad Real del Guayrá na foz do Piquiri e, em 1570, Vila Rica do Espírito Santo, que se tornou o principal núcleo da Província do Guairá, vivendo de horticultura e de erva-mate sob crescente influência jesuítica — até que os bandeirantes arrasaram as vilas em 1631 e a área ficou vazia por mais de dois séculos. O IBGE registra que foi a erva-mate que devolveu o lugar ao mapa depois da Guerra do Paraguai: a Companhia Matte Larangeira, concessionária dos ervais nativos por decreto imperial de 1882 e reorganizada em 1929 com sedes no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, construiu o Porto Guaíra, que já em 1919 tinha luz elétrica a vapor, esgoto, telefone, hospital, escola e metalúrgica. Nos anos 1940 o governo Vargas encampou a companhia, rebatizada Serviço de Navegação da Bacia do Prata, e em 1947 a concessão dos ervais acabou. A cidade, até então povoada sobretudo por paraguaios e descendentes, recebeu novas correntes migratórias com a Marcha para o Oeste. Administrativamente, Guaíra foi distrito de Foz do Iguaçu (extinto em 1938 pelo Decreto-lei estadual nº 7.573 e reabsorvido pela sede), voltou como zona do distrito sede no quadro de 1944 e virou município pela Lei estadual nº 790, de 14 de novembro de 1951, instalado em 14 de dezembro de 1952. Foi cidade-mãe do oeste: dela saíram Palotina e Maripá (Lei estadual nº 4.245/1960) e Terra Roxa (Lei estadual nº 220/1963). Desde a criação do distrito de Doutor Oliveira Castro, pela Lei estadual nº 5.547/1967, o município tem dois distritos, quadro mantido na divisão territorial de 2023.