História
Portão é um dos raros municípios brasileiros cujo nome descreve um objeto que existiu. Depois da extinção das missões jesuíticas, em 1750, o Rio Grande do Sul foi repartido em grandes fazendas entregues a militares e protegidos do Império para ocupar e defender a fronteira. No fim de 1788 algumas dessas fazendas do vale do Rio dos Sinos foram desapropriadas para a Real Feitoria do Linho Cânhamo, uma estatal portuguesa que devia produzir fibra para cordas e velas de navio. No início de 1789 a Feitoria ergueu um portão na margem esquerda do Arroio Correa, divisa natural com o Rincão do Cascalho, bloqueando a estrada que ligava Porto Alegre ao centro da Capitania — a futura Estrada Júlio de Castilhos. A fábrica faliu, e em 1824 suas terras receberam o primeiro assentamento de imigrantes alemães do Estado; o portão, porém, ficou de pé por muitos anos e batizou o arroio, o povoado que cresceu à beira da estrada, a estação de trem e o bairro em volta. Os colonos alemães compraram as antigas fazendas e as converteram em minifúndios, o comércio se fortaleceu e o couro trouxe os curtumes. A organização administrativa veio tarde: distrito de Estação Portão pelo Ato Municipal nº 123, de 30 de abril de 1927, no município de São Sebastião do Caí; nome reduzido a Portão pelo Decreto-lei Estadual nº 7.199, de 31 de março de 1938; município pela Lei Estadual nº 4.579, de 9 de outubro de 1963, desmembrado de São Sebastião do Caí, Canoas, São Leopoldo e Estância Velha, e instalado em 28 de janeiro de 1964.