História
Mafra nasceu de uma decisão sobre fronteira. Até 1917 a margem esquerda do rio Negro era território paranaense, parte do município de Rio Negro; foi a liquidação da questão de limites entre Santa Catarina e Paraná — arrastada pelo Supremo Tribunal Federal desde o começo do século e encerrada pelo acordo assinado em 20 de outubro de 1916, depois de quatro anos de Guerra do Contestado — que transferiu aquela faixa para Santa Catarina. A Lei estadual nº 1.147, de 25 de agosto de 1917, criou o município ali, desmembrado de Rio Negro, e a instalação ocorreu em 8 de setembro do mesmo ano, data que até hoje suspende o expediente do foro. O nome escolhido não foi de santo nem de rio: homenageou o Dr. Manoel da Silva Mafra, o jurista que sustentou a causa catarinense na pendência. Antes disso o lugar já tinha função de passagem — a rota dos tropeiros que ligava o extremo sul a São Paulo cruzava a região, e em 1732 Cristóvão Pereira de Abreu oficializou a abertura da Estrada da Mata, atravessando o sertão com milhares de cabeças de gado. Da estrada de gado à ferrovia e daí à BR-116, o traço nunca mudou: Mafra é o ponto onde se atravessa.