História
Estância nasceu de uma concessão de terras no vale do rio Piauí, em 1621, a Pedro Homem da Costa, que ergueu ali a capela de Nossa Senhora de Guadalupe — hoje padroeira do município. O nome veio do vocabulário das fazendas de criação: "estância" designava a propriedade de gado, e "estancieiros", seus ocupantes. A povoação cresceu como entreposto entre o sertão e o mar, e sua importância institucional foi reconhecida cedo: em abril de 1757 um alvará régio autorizou que se realizassem em Estância "vereações, audiências, arrematações e outros atos judiciais" — ou seja, a vida judiciária local antecede em quase um século a existência formal da cidade.
O século XIX consolidou essa posição. Em 25 de outubro de 1831 a sede da Vila de Santa Luzia foi transferida para Estância; em 5 de março de 1835 criou-se a Comarca de Estância, uma das mais antigas de Sergipe; e em 4 de maio de 1848 a vila foi elevada à categoria de cidade. Dom Pedro II, que visitou a localidade e se hospedou em um dos sobrados do centro, chamou-a de "o jardim de Sergipe" — origem do apelido Cidade Jardim que a acompanha até hoje.
O pioneirismo também marcou o início do século XX: Estância foi a primeira cidade sergipana a receber iluminação elétrica, num tempo em que o comércio fluvial pelo rio Piauí e a indústria têxtil davam à cidade um cosmopolitismo raro no interior do Nordeste.