História
A história administrativa de Manicoré começa por uma decisão de fiscal e chega a uma decisão de foro. Em 1797, por ordem do governador do Grão-Pará, fundou-se a povoação do Crato para facilitar as trocas entre o Pará, Mato Grosso e Goiás pelo Madeira; em 1802 a povoação mudou de lugar, para um sítio entre os rios Baetas e Arraias; em 1858 virou freguesia de São João Batista do Crato. Dez anos depois, a Lei provincial nº 177, de 6 de julho de 1868, transferiu a sede da freguesia para o povoado de Manicoré. A elevação a vila veio pela Lei provincial nº 362, de 4 de junho de 1877, com desmembramento de Manaus e instalação em 15 de maio de 1878; o foro de cidade, pela Lei estadual nº 137, de 4 de maio de 1896. No meio dessa sequência está o dado que interessa a esta página: o termo judiciário foi criado em 1877, Manicoré tornou-se sede da Comarca do Rio Madeira em 1878 e a comarca só foi instalada em 12 de dezembro de 1881. Criar e instalar são atos distintos — e no Amazonas essa distinção continua sendo direito vigente, porque a Lei Complementar estadual nº 261/2023 declara todos os municípios sedes de comarca e reserva a condição de Termo Judiciário às comarcas ainda não implantadas. Do município original saíram Novo Aripuanã, pela Lei estadual nº 96, de 19 de dezembro de 1955, e mais uma parte do território cedida em 10 de dezembro de 1981. O que sobrou ainda é dimensão continental.