História
A história de Coração de Jesus tem um nome perdido e devolvido. O arraial do Sagrado Coração de Jesus nasceu no sertão a noroeste de Montes Claros poucos anos antes de 1777, em torno de uma capela a que os posseiros Magalhães e Francisco Leal doaram meia légua de terras em quadra, e a primeira sesmaria da região ficou com Antônio José da Costa. Virou sede de distrito por decreto de 14 de julho de 1832, confirmada pela Lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891. Em 1911 veio a emancipação — e com ela o apagamento: a Lei estadual nº 556, de 30 de agosto daquele ano, criou, em território desmembrado de Montes Claros, um município chamado Inconfidência, composto dos distritos de Coração de Jesus, Extrema e Jequitaí. A vila de Inconfidência foi instalada em 1º de junho de 1912, e a Lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, renomeou também os distritos: Coração de Jesus passou a Inconfidência e Extrema passou a Borda do Rio. Cidade em 1925. Só em 20 de setembro de 1928 a Lei estadual nº 1.035 desfez o batismo civil, no artigo 2º, mandando que a vila e "as circunscrições judiciárias e administrativas, que a têm por sede", voltassem a chamar-se Coração de Jesus. Judicialmente, o município foi por décadas termo da comarca de Montes Claros — os quadros territoriais de 1936, 1937, o do Decreto-Lei estadual nº 148, de 1938, e o do Decreto-lei nº 1.058, de 1943, todos o descrevem assim. A comarca própria veio com a virada da década de 1940, e o Guia Judiciário do TJMG registra a instalação em 15 de novembro de 1948; a Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, fixou o município com oito distritos, e no quadro da Lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, para o quinquênio 1954-1958, o verbete do IBGE já o descreve como comarca de Coração de Jesus. Entre os distritos daquele quadro estão Ibiaí, Lagoa dos Patos, São João da Lagoa e São João do Pacuí — os quatro municípios que hoje continuam a responder ao fórum daqui, emancipados do território mas não da jurisdição.