História
O planalto da Serra de Maracaju foi terra de vacaria antes de ser terra de gente fixa: desmanteladas as reduções jesuíticas espanholas pelas bandeiras paulistas, a região passou séculos vazia de povoamento estável. O repovoamento começou no primeiro lustro do século XX, quando Gabriel Francisco Lopes e os irmãos Joaquim e José redescobriram aqueles campos vindos de Minas Gerais pela travessia de Paranaíba, atraindo levas de mineiros que fundaram, a sudoeste do planalto, os núcleos de Água Fria e Santa Gertrudes. A Guerra do Paraguai interrompeu tudo: entre 1864 e 1870 lavouras e pastagens foram abandonadas e os colonos voltaram a Minas, só regressando com a retirada dos invasores. A cidade atual nasceu de um episódio miúdo: em 1922 o comerciante João Pedro Fernandes levou sua farmácia Santa Rosa para um povoado de Nioaque, na margem direita do rio Brilhante, e um surto de malária o fez mudar-se outra vez, em 1923, para o sítio onde hoje está Maracaju. No mesmo ano organizou a Sociedade Incentivadora da Instrução, instalada em 25 de dezembro de 1923, para a qual Nestor Pires Barbosa doou 204 hectares. O reconhecimento veio em cascata: distrito pela Resolução estadual n.º 912, de 8 de julho de 1924, subordinado a Nioaque; vila pela Lei estadual n.º 987, de 7 de julho de 1928, com sede na antiga povoação de Josinópolis e instalação em 7 de setembro de 1928; cidade pela Lei estadual n.º 1.031, de 1º de outubro de 1929. Em 25 de abril de 1944 a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil inaugurou a estação, e o trilho fez o resto. O segundo distrito, Vista Alegre, chamou-se Ervânia por força do Decreto-lei federal n.º 9.055, de 12 de março de 1946, e só recuperou o nome pela Lei estadual n.º 1.176, de 16 de dezembro de 1958 — é ele que ainda integra a comarca.