Cidade de MT

Itanhangá

Itanhangá é um município de 7.539 habitantes do médio-norte de Mato Grosso, nascido de um projeto de assentamento do Incra e emancipado de Tapurah em 2000. Não é sede de comarca e nunca teve comarca criada em seu nome: os processos correm na Vara Única da Comarca de Tapurah, que responde por Júri e execução penal. Não há estabelecimento penal no território da comarca — a custódia se dá fora do município.

UF
MT
Porte
micro
População
7.539 hab.

Para questões judiciais em Itanhangá (MT), o juízo competente é da Comarca de Tapurah — é lá que correm os processos criminais e cíveis da cidade. Esta página reúne a comarca, os órgãos e contatos oficiais do município, os telefones de emergência e a custódia prisional da região. Advogado pode atuar em qualquer comarca do país (art. 7º, I, da Lei 8.906/94) — o atendimento do escritório é remoto e presencial.

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Particularidades

História

Itanhangá é um município que nasceu de uma linha de lotes. Antes de ser cidade, era o Projeto de Assentamento Itanhangá, criado pelo Incra no território de Tapurah, e a vida comunitária se organizava em agrovilas — União da Vitória, Simione, Monte Alto, Cruzeiro, Ana Terra —, cada qual com seu salão, sua escola e seu núcleo de lideranças. Foi num desses salões, o da Agrovila União da Vitória, que em 19 de junho de 1999 se reuniram os principais líderes locais para formar a comissão provisória Pró-Emancipação; pronunciaram-se representantes de Monte Alto, Simione, Cruzeiro e Ana Terra, e a denominação Itanhangá, que já era o nome do projeto, foi acatada por aclamação na terceira reunião da comissão. O plebiscito veio em 19 de março de 2000, com resultado favorável homologado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso — a comunicação à Assembleia Legislativa foi feita pelo Ofício nº 057/00, assinado pelo desembargador Orlando de Almeida Perri. Dez dias depois, a Lei Estadual nº 7.266, de 29 de março de 2000, criou o município, desmembrando-o de Tapurah. Mas a emancipação em ano eleitoral tinha um preço: a legislação não permitia eleição em município criado no próprio ano do pleito, e Itanhangá passou quase cinco anos como município no papel, administrado por Tapurah, até eleger seus primeiros representantes em 2004 e instalar-se em 1º de janeiro de 2005.

Economia

Os números agrícolas de Itanhangá são desproporcionais ao seu tamanho, e por um motivo estrutural: quase todo o território é lavoura. A Produção Agrícola Municipal do IBGE de 2023 registrou 125 mil hectares colhidos de soja e 85 mil de milho, num total de 217.030 hectares colhidos — número que, sobre os 2.909 km² do município (cerca de 291 mil hectares), só se explica pela segunda safra plantada na mesma terra. Ao lado dos grãos aparecem culturas que contam outra história: 4.500 hectares de feijão, 1.500 de algodão, mil de arroz, e ainda mandioca, limão, abacaxi e coco-da-baía em áreas mínimas — a assinatura da agricultura de assentamento convivendo com a lavoura empresarial. O rebanho bovino chegava a 60.539 cabeças em 2023, oito animais para cada morador. O PIB municipal de 2021 somou R$ 721,4 milhões, dos quais R$ 512,1 milhões vieram do valor adicionado da agropecuária, contra R$ 17,8 milhões da indústria: é um município que produz muito e transforma pouco. Para o direito, esse desenho gera contencioso característico — contratos de safra, arrendamento rural, cédula de produto rural, penhor agrícola, questões possessórias e disputas sobre a titulação dos lotes do assentamento.

Panorama jurídico

A primeira coisa a saber sobre Itanhangá é o que ele não tem: fórum. O município nunca teve comarca criada em seu nome — não aparece entre as 83 comarcas listadas no Quadro 01 da Lei Complementar Estadual nº 774/2023, e sim como município integrante da Comarca de Tapurah. Não é, portanto, caso de comarca criada e nunca instalada: é município termo, e sempre foi. Todos os processos correm na Vara Única da Comarca de Tapurah, criada pela Lei Complementar Estadual nº 174, de 21 de junho de 2004, e instalada em 29 de abril de 2005. No quadro de Competências das Varas da Corregedoria-Geral da Justiça atualizado em 7 de abril de 2026, a comarca figura como item 76, com competência geral cível e criminal e Juizado Especial — ou seja, o mesmo juízo responde por família, infância, Tribunal do Júri e execução penal, e a pauta desse juízo é o relógio de qualquer pedido. Duas atenuações e duas complicações. As atenuações: o Judiciário mantém em Itanhangá um Ponto de Inclusão Digital, junto ao Cartório de Paz e Notas, que permite praticar atos e participar de audiências sem viajar; e conciliação e mediação são feitas pelo Cejusc Virtual Estadual, já que a comarca não tem Cejusc físico. As complicações: não há estabelecimento penal em Itanhangá nem em Tapurah, de modo que o preso do município é custodiado fora — o que afasta a família e obriga a defesa a acompanhar progressão, remição e livramento a distância; e a competência se fragmenta conforme o ramo, porque a reclamação trabalhista vai para Lucas do Rio Verde, a ação federal para a Subseção Judiciária de Diamantino e o pedido de recuperação judicial para a 4ª Vara Cível de Sinop, por força da Resolução nº 10/2020/OE do TJMT.

Patrimônio

O patrimônio de Itanhangá não está em pedra lavrada: está no traçado. A malha de agrovilas herdada do assentamento — União da Vitória, Simione, Monte Alto, Vila Cruzeiro — é um documento de urbanismo rural planejado, em que cada núcleo foi desenhado para servir um conjunto de lotes rurais, e não o contrário. A toponímia da sede guarda a origem das famílias que chegaram: a prefeitura fica na Avenida Santa Catarina e a Câmara na Rua Florianópolis, num município do meio de Mato Grosso — o mapa do Sul transposto para o cerrado. O eixo físico do território é a MT-338, a antiga estrada que liga a região a Tapurah e ao restante do médio-norte; a Secretaria de Estado de Infraestrutura entregou a restauração do trecho entre Itanhangá e o distrito de Ana Terra, cerca de 37 quilômetros, e a trafegabilidade dessa rodovia é assunto público local, porque dela dependem o escoamento da safra e o próprio comparecimento das pessoas a atos processuais na sede da comarca. O nome do município, por fim, é patrimônio imaterial de um tipo incomum: não homenageia fundador nem colonizadora, e foi escolhido em assembleia de assentados.

Curiosidades

Itanhangá acumula curiosidades que parecem erro de digitação e não são. A primeira é aritmética: o município colheu 217.030 hectares em 2023, sobre um território de aproximadamente 291 mil hectares — algo em torno de três quartos de toda a sua extensão aparece como área colhida no mesmo ano, o que só é possível porque a mesma terra entrega soja e, na sequência, milho. A segunda é pecuária: são 60.539 cabeças de gado para 7.539 habitantes, praticamente oito bovinos por pessoa. A terceira é administrativa: o município foi criado por lei em março de 2000 e só se instalou em 1º de janeiro de 2005, tendo passado quase cinco anos existindo juridicamente sem administração própria. A quarta é de nomenclatura: há um Itanhangá que é bairro do Rio de Janeiro, um Itanhaém no litoral paulista e um Itanhandu no sul de Minas — e nenhum deles tem relação com este, que é identificado pelo código IBGE 5104542. E há a curiosidade institucional que mais confunde quem litiga aqui: o município se liga a Tapurah na Justiça estadual, a Lucas do Rio Verde na Justiça Eleitoral, no trabalhista e na OAB, e a Diamantino na Justiça Federal — três cidades diferentes para três ramos diferentes.

Educação e cidadania

Os indicadores do IBGE para Itanhangá desenham um município que resolveu bem uma coisa e mal outra. A taxa de escolarização da população de 6 a 14 anos é de 99,07% — praticamente universal. Já a proporção de domicílios com esgotamento sanitário adequado é de 1,42%, das mais baixas do estado, e a população ocupada corresponde a 16,18% do total, número que reflete uma economia de lavoura mecanizada, que produz muito e emprega pouco. Some-se que 82,56% das receitas correntes do município vêm de transferências, e se tem o retrato de uma administração com pouca margem própria. Para quem precisa da Justiça, o caminho tem três portas. A primeira é a Comarca de Tapurah, onde tudo corre, com o alívio do Ponto de Inclusão Digital instalado no Cartório de Paz e Notas de Itanhangá, que evita a viagem para muitos atos. A segunda é a Defensoria Pública: existe Núcleo de Tapurah, com atribuição sobre a Vara Única e o Juizado Especial Cível e Criminal, inclusive Júri e execução penal — mas, na relação oficial consultada em agosto de 2026, o cargo de defensor titular constava vago, coberto por cumulação, e é comum que o juízo nomeie defensor dativo para quem não pode contratar advogado, na forma do art. 263 do Código de Processo Penal. A terceira é o serviço municipal: a Prefeitura, na Avenida Santa Catarina, 314, Centro, e a Câmara Municipal, na Rua Florianópolis, 217. Para título de eleitor, a referência é a 21ª Zona Eleitoral, sediada em Lucas do Rio Verde.

Segurança e fronteira

A rotina criminal de Itanhangá é a de um município sem estrutura penal própria. Conferidas em 8 de agosto de 2026, a relação de unidades penais da Sejus-MT e a lista de cadeias públicas da Sesp-MT — órgãos distintos, com listas distintas — não registram nenhuma unidade em Itanhangá, nem em Tapurah, sede da comarca. Isso quer dizer que quem é preso em flagrante aqui deixa o município quase imediatamente: a custódia se dá em unidades da região, entre as quais o Centro de Detenção Provisória de Lucas do Rio Verde, a Cadeia Pública de Sorriso e a Cadeia Pública de Diamantino, e a definição de qual delas recebe cada preso é decisão operacional, que precisa ser confirmada caso a caso — não se deve presumir destino. Na prática, três consequências pesam para a família e para a defesa: a visita exige deslocamento e agendamento na unidade real, não na cidade; a audiência de custódia e os incidentes de execução tramitam perante o juízo de Tapurah, ainda que o custodiado esteja em outro município; e localizar em qual unidade a pessoa foi recolhida costuma ser o primeiro trabalho técnico do caso. Na polícia judiciária, comunicados oficiais registram ações conduzidas em conjunto pelas delegacias de Tapurah e de Itanhangá, com o delegado lotado na sede da comarca respondendo também pelo município.

Dados do município

Mesorregião
Norte Mato-grossense
Microrregião
Alto Teles Pires
Área (km²)
2909.745
População (Censo 2022)
7.539
Densidade demográfica (hab/km²)
2.59

Fonte: IBGE (Cidades e Estados).

Órgãos e instituições — Itanhangá/MT

Justiça Estadual — Comarca

Nome
Comarca de Tapurah — TJMT (Itanhangá é município termo)
Tribunal
TJMT
Site Tjmt
www.tjmt.jus.br
Canais de atendimento
canaispermanentesdeacesso.tjmt.jus.br
Telefone Geral Forum
Sede
Tapurah
Situacao Do Municipio
Itanhangá nunca teve comarca criada em seu nome. O município não figura entre as 83 comarcas do Quadro 01 da Lei Complementar Estadual nº 774/2023: aparece ali como município integrante da Comarca de Tapurah (item 77 do quadro). Não se trata, portanto, de comarca criada e não instalada — é município termo, e sempre foi.
Abrangencia
Tapurah (sede, com os distritos de Novo Eldorado e Ana Terra) e Itanhangá (com as localidades de Simione, Monte Alto e Vila Cruzeiro).
Observacao Regional
Recuperação judicial e falência de devedor com domicílio comercial na área da comarca não correm em Tapurah: por força da Resolução nº 10/2020/OE do TJMT, a 4ª Vara Cível de Sinop processa privativamente essas ações para todo o Polo III (Região Centro/Norte).
Criacao Da Comarca Sede
Base Legal
Lei Complementar Estadual nº 174, de 21/06/2004
Instalacao
29/04/2005
Entrancia
Classificacao Atual
Entrância Única — Grupo 3
Base Legal Atual
Lei Complementar Estadual nº 774, de 19/09/2023
Estrutura
Varas
Vara Única, com competência geral cível e criminal e Juizado Especial — item 76 do quadro de Competências das Varas da Corregedoria-Geral da Justiça atualizado em 07/04/2026. O mesmo juízo responde por família, infância, Tribunal do Júri e execução penal.
Conciliacao
A comarca não tem Cejusc físico: conciliação e mediação são feitas pelo Cejusc Virtual Estadual, que atende 40 comarcas do estado.
Ponto Inclusao Digital
Há Ponto de Inclusão Digital (PID) instalado em Itanhangá, junto ao Cartório de Paz e Notas, que permite praticar atos judiciais e participar de audiências sem deslocamento até Tapurah.
Acervo Referencia
Processos Ativos
cerca de 5.913 na comarca inteira

OAB — Subseção

Nome
21ª Subseção da OAB-MT — Lucas do Rio Verde
Abrangencia
Lucas do Rio Verde, Ipiranga do Norte, Itanhangá e Tapurah
Estrutura
A subseção mantém sala da advocacia no Fórum Judiciário de Lucas do Rio Verde (Av. Brasil, nº 3183-S, Parque dos Buritis) e uma extensão em Tapurah. Itanhangá não tem sala própria da OAB.

Estabelecimentos penais

Panorama
Não há estabelecimento penal em Itanhangá — nem no território da comarca. O município não aparece na relação de unidades penais da Sejus-MT nem na lista de cadeias públicas da Sesp-MT (as duas foram conferidas em 08/08/2026, e são órgãos distintos, com listas distintas). A custódia dos presos do município se dá fora dele, em unidades da região; a definição de qual unidade recebe cada preso é operacional e deve ser confirmada caso a caso.
Unidades Referencia
· Centro de Detenção Provisória de Lucas do Rio Verde · Tipo
Masculina
· Centro de Detenção Provisória de Lucas do Rio Verde · Administracao
Sejus-MT
· Centro de Detenção Provisória de Lucas do Rio Verde · Municipio
Lucas do Rio Verde
· Centro de Detenção Provisória de Lucas do Rio Verde · E-mail
· Cadeia Pública de Sorriso · Tipo
Masculina
· Cadeia Pública de Sorriso · Administracao
Sejus-MT (também consta na lista de cadeias públicas da Sesp-MT)
· Cadeia Pública de Sorriso · Municipio
Sorriso
· Cadeia Pública de Sorriso · E-mail
· Cadeia Pública de Diamantino · Tipo
Masculina
· Cadeia Pública de Diamantino · Administracao
Sejus-MT
· Cadeia Pública de Diamantino · Municipio
Diamantino
· Cadeia Pública de Diamantino · E-mail

Ministério Público Estadual

Estadual
O Ministério Público de Mato Grosso atua no município por meio da Promotoria de Justiça de Tapurah, sediada na cabeça da comarca. Entre as atuações recentes divulgadas pelo MPMT estão destinações de recursos de acordos a projetos sociais e a entidades assistenciais da comarca.

Defensoria Pública Estadual

Nucleo
Núcleo de Tapurah — Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso
Atribuicao
Vara Única e Juizado Especial Cível e Criminal, incluindo Tribunal do Júri e execução penal
Situacao
Na relação oficial de núcleos e defensores da DPE-MT consultada em 08/08/2026, o cargo de defensor titular do Núcleo de Tapurah consta VAGO, com atendimento por cumulação de defensora de outra unidade. Enquanto a lotação não é preenchida, é comum que o juízo nomeie defensor dativo para quem não pode constituir advogado (art. 263 do Código de Processo Penal), com honorários arbitrados judicialmente.

Justiça Federal

Subsecao
Subseção Judiciária de Diamantino — Seção Judiciária de Mato Grosso (TRF da 1ª Região)

Justiça do Trabalho

Vara
Varas do Trabalho de Lucas do Rio Verde (TRT da 23ª Região)
Jurisdição
Na relação por município do portal do TRT23, Itanhangá e Tapurah remetem às Varas do Trabalho de Lucas do Rio Verde. O vizinho Ipiranga do Norte, de origem semelhante, remete a Sorriso — a divisão trabalhista não acompanha a divisão da comarca.

Justiça Eleitoral

Zona
21ª Zona Eleitoral, com sede em Lucas do Rio Verde
Abrangencia
Lucas do Rio Verde, Tapurah e Itanhangá

Polícia Civil

Atendimento
Comunicados oficiais da Polícia Judiciária Civil e da Sesp-MT registram ações conduzidas em conjunto pelas delegacias de Tapurah e de Itanhangá, com o delegado lotado em Tapurah respondendo também pelo município. Esta ficha não publica endereço nem telefone de delegacia sem fonte oficial vigente.

Prefeitura Municipal

Endereço
Av. Santa Catarina, nº 314, Centro, Itanhangá - MT, CEP 78579-000
Telefone
E-mail
Site
itanhanga.mt.gov.br
Horario
das 7h às 11h e das 13h às 17h

Câmara Municipal

Endereço
Rua Florianópolis, nº 217, Centro, Itanhangá - MT
Telefone
E-mail
Site
www.camaraitanhanga.mt.gov.br
Horario
das 13h às 17h30

Emergências

Pm
190
Samu
192
Bombeiros
193
Policia Civil
197
Defesa Civil
199
Central Mulher
180
Cvv
188
Direitos Humanos
100
Policia Federal
194
Disque Denuncia
181
Ouvidoria M P
127

Violência contra a mulher — Ligue 180

180

Denúncia e orientação para mulheres em situação de violência. Atendimento 24h, sigiloso.

Apoio emocional — CVV

188

Ligação gratuita, sigilosa, 24h. Você não precisa estar em crise para ligar.

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